Ações efetivas para aumentar a segurança dos veículos começam a aparecer, mas de forma tímida. Associação cobra mais agilidade.
Empenhada em ações que levem à redução dos números de mortos e de feridos no trânsito, principalmente neste período do ano em que as estradas ficam cheias, a PROTESTE Associação de Consumidores alerta para a necessidade de adoção de medidas para aumentar a segurança veicular.
Algumas ações efetivas para aumentar a segurança dos veículos começam a aparecer, mas de forma muito tímida. E não com a agilidade defendida pela PROTESTE para rapidamente colocar a segurança dos brasileiros no mesmo nível do que já existe há muitos anos em outros países, de forma a minimizar o impacto dos acidentes de trânsito.
Algumas medidas adotadas
A partir de 2014 os carros brasileiros serão mais seguros, com a obrigatoriedade de todos saírem de fábrica com freios ABS e airbag. Enquanto estas medidas não são adotadas cada um deve fazer a sua parte cumprindo a legislação de trânsito, e o governo melhorando as condições das estradas para maior segurança viária. Em feriados prolongados o número de mortes por acidentes de trânsito se intensifica por conta da imprudência de muitos motoristas e das péssimas condições das estradas.
A obrigatoriedade dos freios ABS foi aprovada pelo Contran em 2009 e todas as montadoras terão de fornecer um cronograma detalhado sobre a instalação do ABS. A porcentagem de modelos equipados com ABS crescerá gradativamente: 8% dos veículos com até oito lugares e os de carga com peso de até 3,5 toneladas deverão contar com o sistema até o início de 2010.
Depois subirá para 15% em 2011, 30% em 2012, 40% a partir de 2013 e 100% dentro de cinco anos. Para as montadoras, cumprir essas porcentagens não vai ser difícil, pois vários modelos já tem ABS de série, os mais caros. O ABS terá que vir em 100% dos modelos em 2014.
Quanto ao air bag o projeto original do senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG) exigia a instalação do equipamento para todos os passageiros e abrangia a todos os veículos, inclusive os anteriores à lei, que teriam sete anos para se adaptarem. Mas ele foi substituído por proposta do senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA), que só exige o dispositivo de segurança para os veículos novos, e apenas para o passageiro do banco da frente e o motorista.
A medida, publicada dia 19 de março no Diário Oficial, vale também para importados zero quilômetro. A inclusão do equipamento de proteção seguirá um cronograma de adaptação. O air bag é uma bolsa inflável de segurança, comum nos carros de luxo, que é acionada no momento de uma colisão, evitando o choque direto das pessoas com o painel ou o vidro do veículo.
Os ensinamentos do Crash Test
Há quase quatro anos a PROTESTE divulgou o resultado de um crash test (teste de colisão) com o modelo do Fox mais vendido no Brasil, para fazer uma comparação com o modelo europeu, também produzido no Brasil . Os resultados não podiam, lamentavelmente, ser piores para os consumidores brasileiros.
Os testes mostraram que, enquanto os passageiros do carro vendido na Europa não sofreriam grandes danos, o motorista brasileiro sofreria lesões tão graves que poderia morrer devido à falta de proteção aos adultos do banco da frente. Deve-se salientar que o teste de colisão foi realizado apenas a 60Km por hora. Os modelos fabricados em São José dos Pinhais (PR) para o mercado interno não incorporam, como de série, os itens de segurança que adotam na Europa.
O motorista do Fox brasileiro testado sofreria ferimentos graves na cabeça, na nuca e no tórax depois do choque, o que muito provavelmente o levaria à morte. Já o do carro vendido na Europa teria danos mínimos na cabeça. A diferença se explica pela presença do airbag, que evita que o motorista bata a cabeça no volante, e de um cinto de segurança mais moderno na versão européia. No modelo europeu, o passageiro que viaja ao lado do motorista sofreria impacto apenas nas coxas. Já o brasileiro, ao menos, não teria risco de morte, mas machucaria seu joelho direito e sua cabeça.