Notícia

Resultados finais do projeto Acidentes de Consumo apontam crianças como principais vítimas

22 março 2004

As crianças brasileiras de até cinco anos são as maiores vítimas de acidentes de consumo com produtos. Os medicamentos são a principal causa desses acidentes, seguidos por produtos de limpeza. Na área de serviços os meios de transporte são os maiores causadores de acidentes. Estas foram algumas das conclusões da pesquisa realizada pela PROTESTE – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, em parceria com a Associação Médica Brasileira , nos três maiores hospitais da América Latina na cidade de São Paulo e o Centro de Controle de Intoxicações da Prefeitura de São Paulo.

 Durante três meses os pesquisadores fizeram 2021 entrevistas  com os consumidores que  procuraram esses hospitais públicos, e registraram os acidentes de consumo que colocam em risco a saúde e a segurança  da população. A pesquisa constatou que as crianças (60%) são as principais vítimas dos casos de obstrução aérea (nariz e ouvido) e se machucam com seus brinquedos (38%) ou outros itens (material escolar).

Os adultos são vítimas,  principalmente, de  queimaduras, conseqüência de acidentes com produtos de limpeza (álcool, cloro) e utensílios domésticos (panelas). Eles são,  também, as maiores vítimas de acidentes que provocam lesões ou ferimentos, principalmente no ouvido (43%), em sua maioria, acidentes com cotonetes, quando  o algodão se desprende das hastes. Devido às quedas de escadas portáteis e em piso cerâmicos os adultos também sofrem, com maior freqüência,  entorses e contusões, que lesionam membros inferiores (54%).

Os resultados finais da pesquisa foram apresentados no 2º Seminário PROTESTE de Defesa do Consumidor, realizado em São Paulo, na quinta-feira, dia 11 de Março. O Projeto Acidentes de Consumo teve como objetivo mostrar a realidade nessa área em que não existe um sistema de notificação compulsória. O Código de Defesa do Cosnumidor assegura, como um dos direitos básicos, no artigo 6º, a proteção da vida, saúde e segurança do consumidor contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos.

O projeto piloto foi desenvolvido  com o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina; Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Hospital Universitário da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e CCI - Centro de Intoxicações da Prefeitura de São Paulo, que apoiaram o projeto .

Acidentes de Consumo na Prestação de Serviços

A maioria dos acidentes relacionados à prestação de serviços  ocorre nos meios de transporte. Os serviços de transporte, juntamente com os desníveis das calçadas, são responsáveis pela maior parte dos casos de cortes, conforme constatou a pesquisa. Essas vítimas chegam aos pronto-socorros também com entorses ou contusões, que acontecem na maioria das vezes nos transportes (60%) e atingem, principalmente, os membros inferiores (68%).

Quanto à idade da vítima de acidente de consumo a variação é grande, dos 11 aos 50 anos igualmente. Os casos de indisposição estão relacionados, principalmente, a serviços prestados em bares ou restaurantes (69%) e, atingem mais os adultos entre os 21 e 40 anos (51%), causando na maioria das vezes, problemas gastrintestinais.

Quanto ao horário, foram poucos os casos de acidentes de consumo ocorridos na madrugada (3%). Os acidentes de consumo costumam acontecer mais pela manhã e à tarde. A residência (83%) é, na maioria das vezes, o local de ocorrência dos acidentes de consumo por produtos, enquanto os acidentes de serviços ocorrem, principalmente, nos meios de transporte (43%) e na rua (35%).

No caso dos acidentes por prestação de serviço, a totalidade dos entrevistados não formalizou reclamação. Nos acidentes com produtos o cenário é outro, cerca de 40% dos entrevistados afirma ter formalizado uma reclamação. Mas estas reclamações devem ser observadas com restrições, pois  o entrevistado chama de reclamação o relato do caso no momento do atendimento médico.

A grande maioria (82%) dos acidentes de consumo por prestação de serviço é atendida no ambulatório. Apenas 5% dos casos necessitam de internação. Nos acidentes com produtos, os casos de internação são 1/4 dos atendimentos, e os casos de alta, cerca de 50%. Não existe variação significativa quanto ao sexo, entre as vítimas de acidentes de consumo por produtos. Porém, quando o acidente é em função da prestação de serviços, as mulheres são as vítimas mais freqüentes (55%).

A maioria das vítimas de acidentes de consumo, nesta pesquisa,  independente se por produtos ou serviços, possui renda familiar entre um e três salários mínimos (74% e 66%, respectivamente), e cerca de 25% têm renda entre três e cinco salários. O percentual de entrevistados, com renda familiar superior a cinco salários mínimos, é inferior a 10%. Isto se explica pelo fato da pesquisa ter sido feita, exclusivamente, na rede pública de saúde.

Participaram do Painel sobre Acidentes de Consumo Maria Inês Dolci e Paulo Roberto Bühler, da PROTESTE, Dr. Eleuses Vieira de Paiva, presidente da Associação Médica Brasileira, Dra. Maria Tereza Gutierrez, diretora do Departamento de Pediatria, e, Cláudio Santilli,  chefe do Pronto-Socorro de  Ortopedia, ambos da Irmandade do Hospital Universitário da Santa Casa de Misericórdia de SP; Dr. José Roberto Ferrraro, diretor superintendente do Hospital São Paulo, e Edna Maria Miello Hernandez, do  Centro de Controle de Intoxicação da Prefeitura de São Paulo.

Veja abaixo, em documentos adicionais, o relatório com os resultados da pesquisa, apresentado no 2o Seminário PROTESTE de Defesa do Consumidor.


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