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Antibióticos em frangos: risco de gerar superbactérias

02 junho 2015

02 junho 2015

Quadro é preocupante, pois pode fazer com que, no futuro, não consigamos mais combater infecções.

O uso indiscriminado de antibióticos na produção animal tem contribuído para gerar bactérias resistentes. Uma das maneiras de essas superbactérias entrarem em nosso organismo é pelo consumo de carnes mal cozidas. Para verificar a situação na carne de frango, a PROTESTE comprou 50 peitos de frango congelados em supermercados e hipermercados da cidade de São Paulo, em fevereiro, e em todas as amostras havia bactérias resistentes.


No laboratório, foi constatada a prevalência de bactérias resistentes a antibióticos betalactâmicos e produtores de ESBL (ß-lactamases de espectro estendido), enzimas que conferem resistência a um dos grupos de antibióticos mais utilizados na prática clínica humana e veterinária: os betalactâmicos. Estes incluem as penicilinas, seus derivados sintéticos e semissintéticos e as cefalosporinas, como a cefotaxima e a ceftazidima, entre outros.


Após o isolamento das bactérias produtoras de ESBL, determinamos o grau de resistência aos antibióticos. Essas bactérias podem causar infecções urinárias, gastrenterites e outros problemas graves, sobretudo em pessoas mais sensíveis, como idosos, pacientes imunodeprimidos ou que usem dispositivos médicos invasivos, como cateteres ou sondas.

Como prevenir as infecções

A maioria das bactérias morre a 70ºC. Então, é fundamental cozinhar bem os alimentos. Se reaproveitar as sobras, aqueça bem antes de servir. Além disso, manipule alimentos crus e cozidos em separado: lave as mãos com frequência e só corte carne crua na mesma tábua que folhosos após lavá-la bem (não use a mesma faca para ambos – só depois de lavar). Outra dica: higienize bem frutas e legumes. E essencial: tome antibióticos apenas quando o médico receitar, seguindo à risca as instruções de uso.

 

PROTESTE exige mais fiscalização

Diante da preocupante situação encontrada, a PROTESTE está cobrando dos Ministérios da Agricultura e Saúde mais fiscalização sobre a prescrição e aplicação dos antibióticos para controle de doenças nos animais. Foi pedida a instalação de sistemas de monitoramento nacional e internacional para reduzir o impacto das resistências aos antibióticos.


Ao Ministério da Saúde, foi sugerida a promoção de campanhas de sensibilização para o bom uso de antibióticos. Os resultados também foram enviados à recém-criada Comissão de Vigilância Sanitária em Resistência Microbiana da Anvisa, que visa elaborar normas e ações para o monitoramento, controle e prevenção da resistência microbiana.


O uso veterinário de antibióticos é legal. No entanto, como a taxa de infecções humanas por bactérias resistentes aos antibióticos aumenta, questionamos a prática de dar rotineiramente antibióticos para frangos, bovinos e suínos. Cientistas e especialistas em saúde pública dizem que, sempre que um antibiótico é administrado, ele mata as bactérias mais fracas e pode permitir que as mais fortes sobrevivam e se multipliquem. O risco é que as superbactérias possam desenvolver resistência cruzada a importantes antibióticos. O uso frequente de antibióticos em baixa dosagem, uma prática utilizada por alguns produtores de carne, pode intensificar o efeito.


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