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Aeroportos: preços baixos só nos itens tabelados

28 abril 2014

28 abril 2014

A PROTESTE visitou os aeroportos das 12 cidades-sede da Copa para ver se suas novas lanchonetes populares oferecem preços mais justos que os de suas concorrentes. Apesar dos preços tabelados, constatamos diferenças de valor de até 300% em determinado produtos.

Quem viaja de avião no Brasil sabe que um simples lanche no aeroporto pode sair muito caro. Mas, desde 2012, a Infraero começou a instalar lanchonetes populares nos aeroportos, nas quais 15 produtos têm preços controlados. Para saber se essa iniciativa está realmente funcionando, visitamos os aeroportos das 12 cidades-sedes da Copa do Mundo e constatamos que os preços reduzidos dos itens básicos podem render economia aos passageiros, porém algumas lanchonetes ainda desrespeitam o consumidor.

A diferença entre os preços das lanchonetes é evidente, por exemplo, na lanchonete popular do Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, um copo de leite custa R$ 1,20, quatro vezes menos que os abusivos R$ 4,80 cobrados em um estabelecimento convencional do mesmo aeroporto.

Por outro lado, constatamos problemas. Muitos locais não respeitam o preço máximo estabelecido pela Infraero, e divulgado em seu site, como os aeroportos de Curitiba, Salvador e Porto Alegre. E, no caso dos produtos livres que podem ser comercializados – e que deveriam seguir a premissa de ter valores mais baratos que os de outros estabelecimentos –, chegam a ser até mais caros.

Uma empanada custa R$ 6,50 na lanchonete popular Palheta, no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, enquanto o mesmo produto sai a apenas R$ 3,60 na Kafe, uma lanchonete convencional. Os destaques positivos ficam com as lanchonetes populares dos aeroportos de Curitiba, Recife e Porto Alegre, que cumprem a proposta de preços baixos em todos os produtos.

Um flagrante exemplo de fraude é a quantidade de bebida servida. Descobrimos que muitas lanchonetes populares, como as dos aeroportos de São Paulo (Congonhas), Recife e Fortaleza, servem capacidades menores que as estipuladas pelo contrato da Infraero, e, claro, cobrando o mesmo valor. E as lanchonetes populares de Rio de Janeiro (Santos Dumont) e São Paulo (Congonhas) apesar de cumprirem com o valor acordado, aproveitam que a quantidade líquida a ser servida de refrigerante não está determinada e vendem a quantidade de 250 mililitros ao invés do tamanho normal de uma lata, 350 mililitros.

Outra coisa que atrapalha é a própria falta de informação sobre as lanchonetes. Somente metade dos aeroportos – Curitiba, Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro (Santos Dumont) – têm cartazes indicando sua existência. Apesar disso, eles não apontam a localização. Se não bastasse, algumas lanchonetes, como a do Gilberto Freire, de Recife, ficam em áreas isoladas e distantes do aeroporto.


Confira abaixo algumas comparações de preços das lanchonetes dos aeroportos:

A PROTESTE reivindica

Em virtude dos resultados apresentados neste estudo, reivindicamos que haja maior fiscalização da Infraero nas lanchonetes populares sob sua responsabilidade, evitando que cobrem valores mais altos ou sirvam quantidades menores do que as acordadas.

Além disso, acreditamos que por serem intituladas de lanchonetes populares, os produtos que não têm o preço controlado deveriam seguir o mesmo padrão de negócio e, assim, serem ofertados a valores mais baixos do que os encontrados em outros estabelecimentos do local.

Solicitamos também a criação desse tipo de lanchonete nos aeroportos que ainda não o possuem, conferindo aos passageiros opções mais baratas e justas de alimentos e bebidas.


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