Notícia

Publicidade de alimentos no Brasil

01 outubro 2012

01 outubro 2012

Para Carlos Augusto Monteiro, professor da USP, o país caminha para a regulação dos comerciais voltados para as crianças.

A Proteste conversou com Carlos Augusto Monteiro, professor Titular do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), sobre a propaganda de alimentos no Brasil. Confira a opinião do especialista.

No Brasil, ainda é possível associar personagens infantis nas embalagens e propagandas de produtos infantis, além de brindes. O que acha desta prática?

Ha um senador chileno de nome Guido Girardi, que presidiu até há pouco o Senado do Chile, que diz que atitudes como esta são tão grotescas e condenáveis como atos de pedófilos. De fato, ele vê, não sem razão, essas estratégias comerciais como uma forma de pedofilia.

Em agosto, o projeto de lei de autoria do senador Eduardo Amorim (PSC-SE), impedindo a venda de sanduíches junto a brinquedos e outros objetos de apelo infantil, foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA). Isso ainda é um projeto... Mas o Brasil caminha para a proibição desse tipo de situação, assim como para a regulação das propagandas de alimentos?

Que caminha, caminha. Com que velocidade, eu não saberia dizer. No Chile, por exemplo, a prática de vender alimentos com brinquedos e outros brindes de apelo infantil foi recentemente proibida por lei federal, que regulamentou a publicidade de alimentos. É interessante que esta lei, de iniciativa do senador Girardi, foi sancionada por um governo considerado de direita e que não tem se destacado como particularmente preocupado com as questões sociais.

Diante do excesso de publicidades de alimentos industrializados ainda existente, qual seria a sua dica para que a população resista a esses estímulos?

A primeira coisa a fazer seria consumir o mínimo possível dos produtos que lideram a lista dos mais anunciados, em particular na televisão. A produção e a comercialização de alimentos saudáveis (não processados ou minimamente processados) não proporcionam os lucros astronômicos necessários para se pagar o alto custo da criação e veiculação das campanhas publicitárias.


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