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Lanche comprometido: pó de café traz inseto morto e farinha de trigo tem pelo de roedor
Esse é o resultado do nosso teste de segurança alimentar realizado com as marcas mais vendidas atualmente no mercado. 
17 agosto 2017 |
cafe e farinha

Logo pela manhã, ou no lanche da tarde, um cafezinho cai muito bem. E se tiver um bolo gostoso para acompanhar, melhor ainda! 

No entanto, ao saber que tem inseto morto dentro da embalagem do pó de café, e que a farinha de trigo, um dos ingredientes do bolo, traz pelo de roedor, esse lanche deixa de ser apetitoso, não é mesmo?

Foi exatamente isso o que encontramos em nosso teste de segurança alimentar feito com esses produtos. Para verificar a presença de matérias estranhas, como ácaros, pelo de roedor e insetos, fossem elas visíveis ou não a olho nu, levamos oito marcas ao laboratório: quatro de café e quatro de farinha de trigo.

Café: inseto dentro da embalagem

Para a realização deste teste, levamos em conta o regulamento técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que estabelece os requisitos mínimos para avaliação de matérias estranhas macroscópicas e microscópicas em alimentos e bebidas, assim como seus limites de tolerância (RDC 14/2014). É isso mesmo: segundo a legislação, cada produto pode trazer certa quantidade de corpos estranhos. O máximo permitido no pó de café, por exemplo, são 60 fragmentos de insetos em 25 g do alimento.

O café Melitta desapontou, e muito. Isso porque encontramos um inseto inteiro morto na amostra. Além de estar em desacordo com a legislação, que não prevê a presença de insetos inteiros no pó de café, isso mostra que pode ter havido falhas no processo de produção, manipulação ou armazenamento do produto. 

No café 3 Corações verificamos 15 fragmentos de insetos – número que está dentro do previsto na legislação. Olhando por esse ângulo, ele não apresentou problemas. Contudo, acreditamos que o ideal é o alimento estar totalmente livre de matérias estranhas. E isso é sim possível: nas marcas Caboclo e Pilão não detectamos nenhum corpo estranho, fosse ele macroscópico ou microscópico.

Agora você deve estar se perguntando quais riscos um café preparado com as amostras das marcas Melitta e 3 Corações poderiam causar à saúde. Dificilmente a ingestão de algumas xícaras seria capaz de trazer danos ao organismo. Porém, se há produtos livres de matérias estranhas no mercado, por que dar preferência àqueles que possuem inseto ou fragmentos de inseto dentro de suas embalagens? 

pimcafeajustado

Farinha de trigo: encontramos pelo de roedor 

Entre as farinhas de trigo avaliadas, a da marca Sol foi considerada imprópria para consumo, pois nela detectamos um fragmento de pelo de roedor. Isso mostra grave falha no processo de fabricação do produto. Vale destacar ainda que, segundo a legislação, pelos de roedores, como os de rato, os de ratazana e os de camundongo, são potenciais transmissores de doenças.

Embora para alguns produtos o regulamento da Anvisa seja tolerante em relação à presença de pelo de roedor, como é o caso do ketchup (1 fragmento em 100 g do alimento), essa regra  não se aplica à farinha de trigo: de acordo com a legislação, é permitido que existam 75 fragmentos de insetos em 50 g do alimento. 

As outras farinhas de trigo avaliadas, Renata, Dona Benta e Rosa Branca, apresentaram, respectivamente, 33, três e cinco fragmentos de insetos em 50 g de amostra. Ou seja, elas estão dentro do que exige a Anvisa. Mas aqui vale o mesmo já dito sobre o café: bom mesmo seria se não tivéssemos encontrado matérias estranhas nos produtos. 

pimfarinha

É importante ressaltar que os resultados deste teste retratam uma fotografia do momento. Portanto, refletem o cenário atual e relacionado às amostras analisadas. Dessa forma, frente aos problemas, pedimos a retirada dos lotes do café Melitta e da farinha de trigo Sol do mercado. Além disso, continuamos na luta por uma legislação mais rigorosa em relação à presença de matérias estranhas nos alimentos oferecidos aos consumidores: na prática, pedimos a revisão do regulamento técnico da Anvisa que trata desse assunto (RDC 14/2014).     

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