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Saladas prontas: higiene deixa a desejar
Em nosso teste de segurança com vegetais minimamente processados, constatamos que algumas amostras não deveriam ir direto para o prato. Por isso, é preciso ter cuidado e higienizá-las antes de consumi-las.
30 junho 2015 |

Há quem busque nas saladas prontas um rigor a mais na limpeza e, também, uma forma de poupar tempo na cozinha. Mas elas podem esconder perigos, pois seu processamento leva à destruição das células vegetais e a alterações no metabolismo que resultam na redução de sua vida útil. E o pior: nem sempre a higiene é tão boa assim, como pudemos constatar neste teste.

É preciso estar muito atento. A legislação brasileira não contempla uma análise tão rigorosa desses produtos. Ela requer, apenas, que estejam livres da presença de salmonela.

Para saber o que o brasileiro está colocando no prato, fomos bem além do que a Anvisa exige dos produtores em nosso teste com alfaces americanas e cenouras.

Apesar de não termos encontrado nenhuma bactéria patogênica nas amostras analisadas, nem matérias macro e microscópicas prejudiciais à saúde humana, detectamos contagens muito altas de micro-organismos mesófilos e coliformes totais. Coisas que nossos olhos não conseguem ver na hora da compra.  

Análise de mesófilos preocupa

Os micro-organismos patogênicos são aqueles capazes de transmitir doenças. Nesse sentido, você pode ficar tranquilo: todos os produtos foram bem avaliados.

Não encontramos patógenos como salmonela, Escherichia coli, Bacillus cereus e Listeria monocytogenes. Mas detectamos Clostridios sulfito redutores, só que em um nível aceitável.

A fonte de preocupação está nos micro-organismos aeróbios mesófilos, psicrotróficos, bolores e leveduras e coliformes totais e fecais. Sua presença serve como indicador da qualidade higiênica – quando elevados, esses índices contribuem para a redução da vida de prateleira do produto.

Na análise dos mesófilos, nenhum produto foi bem. As alfaces Noda e La Vita e as cenouras Carrefour, Roc-Rocky Verde & Cia e Verde Fácil foram as piores.

Nos psicrotróficos, só a cenoura em rodelas Roc-Rocky e a alface Roda foram bem. Para bolores e leveduras, a maioria das alfaces foi bem, o que não ocorreu com as cenouras – só a Qualitá se salvou.

Quanto aos coliformes fecais, todos estão isentos, mas só em um produto do teste não foi detectada a presença de coliformes totais (a alface Pronto!). A alface La Vita e as cenouras raladas Verde e Cia, Carrefour e Verde Fácil obtiveram os piores resultados.

Conservação interfere na validade

Caso você, ainda assim, opte por comprar saladas prontas nos supermercados, lembre-se de higienizá-las antes de servir.

E leve para casa apenas aquelas na validade, de origem conhecida e rotuladas. Escolha a salada que se encontre o mais longe possível do fim do prazo de validade.

Veja a aparência e se a embalagem está sem perfurações ou “inchada”, pois pode ser sinal de fermentação ou alteração do produto. Também não compre saladas com folhas amarelas – isso é indicativo de deterioração e matérias estranhas. Em casa, ao abrir, sinta o odor: se for ácido ou fermentado, não consuma.

Se não for comer toda a salada que comprou, guarde o que sobrar em um pote de plástico ou vidro, limpo e seco, ou na própria embalagem bem fechada para impedir a entrada de ar. Conserve na geladeira e consuma em até 24 horas, ou siga as orientações descritas no rótulo.

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