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Carros a diesel: prejuízos não compensam

07 março 2017
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07 março 2017

A liberação desses veículos no Brasil colocaria o país na contramão das conquistas e da liderança no desenvolvimento de combustíveis renováveis, como também do próprio compromisso de redução de emissões de poluentes.

A polêmica da possibilidade de haver veículos leves movidos a diesel no Brasil voltou à tona. Isso por conta de um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional, em Brasília, desde o ano passado, sobre a fabricação e venda desses carros. Mas, por que essa não é uma opção viável por aqui, já que ao redor do mundo é possível notar uma grande oferta dos veículos de passeio a diesel?

Vale dizer que o Brasil é o único país do mundo que possui uma lei que proíbe a comercialização de carros de passeio com motor a diesel, mesmo se tendo uma suposta economia na bomba. Porém, isso pode ser mais positivo do que se imagina, uma vez que esse cenário nos colocaria numa posição contrária não só das conquistas e da liderança no desenvolvimento de combustíveis renováveis como também do próprio compromisso de redução de emissões de poluentes.

Sob o ponto de vista econômico, o Brasil importou 19% de todo o diesel vendido no país em 2014, e uma maior demanda do combustível significaria ainda mais importações em prejuízo da balança comercial. Não há alternativas viáveis a esse derivado do petróleo no transporte de carga e coletivo. Isso sem falar no custo de novos motores e de novos sistemas que os carros com essa tecnologia exigem.

Pela perspectiva ambiental, veículos a diesel são fortes emissores de poluentes de potencial cancerígeno e de óxidos de nitrogênio (NOx), que contribuem para a degradação da camada de ozônio. No Brasil, os limites de emissão dessas substâncias são quatro vezes mais altos do que na Europa, o que torna inviável a instalação de filtros de particulados como os que existem nos carros europeus. Mesmo que os limites fossem menores, os filtros exigem um diesel com teor de enxofre ultrabaixo – e o Brasil ainda comercializa, fora das regiões metropolitanas, diesel S500 (com 50 vezes mais enxofre do que o diesel vendido nas cidades).

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Aumento das mortes por poluição

Com base nessas condições, pesquisadores do Conselho Internacional de Transporte Limpo estimaram que a liberação de carros de passeio a diesel no Brasil aumentaria as mortes precoces por poluição do ar em 50% a 230% até 2050. Isso significa um saldo líquido de até 150 mil óbitos adicionais.

O Brasil ainda não possui políticas suficientemente robustas para mitigar os impactos ambientais dos carros a diesel. Apesar do progresso gerado pelo Proconve, o programa brasileiro de controle de emissões veiculares, a qualidade do ar em muitas cidades de nosso país ainda não atende às diretrizes recomendadas pela Organização Mundial da Saúde.

A exemplo do que já existe na Europa, onde o diesel é comercializado em carros de passeio, é preciso atender à normativa Euro 6, que impõe padrões extremamente restritivos, principalmente com relação às emissões de poluentes, obrigando as montadoras a implementar novos sistemas de pós-tratamento de gases de escape, Mesmo assim, a normativa será alterada em 2020, quando entrará em vigor a Euro 7, com a proposta de reduzir em 20 % as emissões poluentes, ter no mínimo 20% de energia oriundas de fontes renováveis e aumentar em 20 % a eficiência energética. Ou seja, estão querendo se distanciar do uso de combustíveis fósseis, como o diesel. Algo que vai totalmente contra as propostas do projeto de lei brasileiro.

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Necessidade de normas rigorosas

Embora as políticas nacionais restrinjam a venda de carros a diesel, os veículos comerciais leves podem ser comercializados no país. Apesar de representarem apenas 6% da frota, estima-se que sejam os responsáveis por aproximadamente 30% das emissões de óxidos de nitrogênio e 65% das emissões de partículas finas.

Portanto, é necessário adotar normas de emissões rigorosas para veículos a diesel já existentes em nosso país, para amenizar os danos à saúde e à qualidade do ar causados por esses veículos; criar incentivos fiscais, como redução de impostos (IPI, ICMS e Cofins), que reduziriam em até 80% os encargos sobre carros elétricos e híbridos; investir eficientemente em transporte público de massa, como trens e metrôs, buscando soluções de longo prazo para se reduzir as emissões do setor de transportes e melhorar a mobilidade urbana.

 A PROTESTE alerta que a mudança desse cenário poria o país, mais uma vez, na contramão do planeta: cidades europeias, como Londres e Paris, já anunciaram o banimento dos carros a diesel após 2020, e os combustíveis fósseis no sistema de transportes estão com os dias contados após a assinatura do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. O projeto de lei vai contra o compromisso de redução de emissões de CO2, assinado na 21ª Conferência do Clima (COP 21).



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