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Pesquisa da PROTESTE mostra que barulho em transportes coletivos pode causar danos à saúde

11 setembro 2015
Transporte público

11 setembro 2015

Além da superlotação e os engarrafamentos, o barulho excessivo também incomoda no transporte público. Confira os resultados da pesquisa que fizemos no RJ e SP e veja como os níveis de ruídos encontrados podem afetar sua saúde.

Não é nada fácil se deslocar de casa para o trabalho e retornar, ao final do expediente, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Além do trânsito infernal, moradores das duas maiores metrópoles brasileiras sofrem com um elevado nível de ruído nos coletivos, conforme pesquisa da PROTESTE e da Sociedade Brasileira de Otologia (SBO). Cariocas sofrem ainda mais com o barulho do que paulistanos. 


Barulho pode causar diversos problemas à saúde


Diferentemente dos outros tipos de poluição, a sonora ainda não é percebida como uma agressão. Mas a sua capacidade de causar danos é potente, tais como danos psicológicos, cardiovasculares, estresse, redução de desempenho e alterações no comportamento social. E mais: dores de cabeça, fadiga, irritabilidade, desatenção e alterações no sono.

A alteração mais perceptível é a perda auditiva. E o nosso estudo demonstra que, em relação aos incômodos, não há como evitar: em maior ou menor grau, todos os meios de transporte expõem seus usuários a sons que, ao longo dos anos, impactam silenciosamente na qualidade de vida. Em alguns casos, o ruído chega ao limiar da perda auditiva.


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"O fato de os ônibus não registrarem ruídos com potencial para provocar perdas auditivas, não deve tranquilizar as autoridades. Acima de 55 decibéis, as pessoas se sentem desconfortáveis, pois o barulho pode causar irritação, fadiga, queda na produtividade, estresse e até problemas cardíacos", pondera o médico otorrinolaringologista Paulo Roberto Lazzarini, presidente da SBO.

"É urgente que todas as legislações que tratem de ruídos e poluição ambiental sejam unificadas e federalizadas", defende Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da PROTESTE. Hoje, cada município e estado tem suas leis sobre o tema. Até os condomínios determinam normas diferenciadas entre si.



Ruído é quase 4 vezes maior no RJ

A exposição ao ruído em ônibus e metrô, dentre outros meios de transporte, afeta mais os cariocas do que os paulistanos. Em São Paulo, a média de ruído ficou em 76,7 decibéis, enquanto no Rio bateu em 80,4 decibéis. 


A linha 696 (Praia do Dendê X Méier) no Rio de Janeiro foi a única acima do limite de 85 decibéis recomendado para evitar riscos à saúde auditiva: chegou a 86,3. Como o decibel é uma função logarítmica, a diferença de alguns pontos é muito relevante. Pode-se dizer, então, que a frota carioca é mais barulhenta do que a de São Paulo.


Barcas tiveram o pior resultado do teste


O pior resultado de todo o teste foi registrado em uma barca que faz a travessia do Rio para Niterói, na linha Cocotá X Ilha do Governador. Como a porta da sala de máquinas estava aberta, o som atingiu 93,4 decibéis, intensidade que já pode provocar danos auditivos. A média das barcas foi 83,4 decibéis.


No teleférico do Alemão, em Bonsucesso, o som não passou de 68,1 decibéis. E as vans cariocas foram bem menos barulhentas do que os ônibus: 77,2 decibéis.


Foram testadas, também, linhas de metrô nas duas cidades. Também, neste tipo de transporte, há mais barulho no Rio. A média no metrô carioca foi 80,5 decibéis e no metrô paulistano, 77,2. Nenhuma linha superou os 85 decibéis que delimitam o risco de doenças auditivas. A pesquisa abrangeu, além disso, trens de passageiros nestas capitais. A média no Rio foi 79,3 decibéis, e 72,9 decibéis em São Paulo. Portanto, maior para os cariocas.




PROTESTE cobra providências das autoridades


A PROTESTE e a SBO comunicaram os resultados do teste às Secretarias dos Transportes das Prefeituras Municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro. 


O estudo também foi encaminhado às Comissões de Defesa do Consumidor, Desenvolvimento Urbano, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados. E para a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado Federal.


Na correspondência, foi enfatizada a urgência de unificar as legislações sobre barulho e poluição ambiental em âmbito federal. Além disso, foi sugerido que as prefeituras controlem o nível de ruído nos coletivos das duas capitais, considerando este quesito na elaboração de editais para o transporte público de passageiros. Ressaltaram, também, que ficou evidente a vantagem dos veículos elétricos também em termos de ruído, como ocorre em termos de poluição ambiental.


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