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PROTESTE lança campanha pela obrigatoriedade do ESC

18 novembro 2015

18 novembro 2015

Proposta foi apresentada no congresso mundial de consumidores, e conta com o apoio de outras entidades que avaliam veículos em todo o mundo.

A PROTESTE lançou nesta quarta, dia 18, no Congresso Mundial da Consumers International, a campanha “Carro mais seguro”, cujo objetivo é a obrigatoriedade da implementação do controle eletrônico de estabilidade em todos os carros fabricados no país.



O controle, também conhecido por ESC, sua abreviação em inglês, consiste em uma série de mecanismos que, acionados por sensores de velocidade e direção, fazem com que o motor reduza seu torque e os freios sejam acionados seletivamente, cada um por sua vez, de acordo com a necessidade. Assim, quando passa por uma mudança brusca de direção, o carro é comandado pelo ESC, o qual evita que o veículo capote. 


Pesquisas nos EUA apuraram que o ESC poderia reduzir o risco de acidentes com mortes em até 49% nas ocorrências que envolviam um único automóvel. “É como se o carro, na hora em que você perde a direção, contasse com um anjo da guarda, que é o ESC”, explicou o piloto César Urnhani, que testou dois carros do mesmo modelo, um com e outro sem o dispositivo, e sentiu na pele a importância do ESC (o resultado do teste está na edição de dezembro da revista PROTESTE).


A posição da PROTESTE foi endossada pela Global NCAP, entidade que reúne os vários programas que promovem testes de colisão de carros em todo o mundo (como o Latin NCAP, do qual a PROTESTE faz parte), que se manifestou formalmente nesse sentido perante o governo brasileiro. 


David Ward, secretário-geral da entidade, aproveitou ainda para desmentir um mito: o de que a obrigatoriedade dos itens de segurança tornaria os carros muito mais caros. “Hoje, um ESC custa em torno de US$ 30 para a montadora”, relatou ele. Isso foi possível graças à fabricação do dispositivo em larga escala. Do mesmo modo, ainda de acordo com Ward, o custo de fabricação de um airbag caiu 60% nos últimos 15 anos, chegando a US$ 50.


Alejandro Furas, secretário-geral do Latin NCAP, mostrou que campanhas como essas são difíceis porque devem convencer empresas e governos. “O Nissan Tsuru, vendido no México, foi o pior modelo já testado pelo Latin NCAP, avaliado com zero estrela. E foi o mais vendido no México por três anos”, relatou ele. O problema é que o México – assim como o Brasil, destacou Ward – ainda não nacionalizou as diretrizes das Nações Unidas para segurança veicular. 


Trata-se de uma série de resoluções que preveem as medidas que devem ser adotadas nesse sentido, sobretudo na construção dos veículos. No México, foi apresentado um projeto nesse sentido em 2013, mas até hoje não virou lei. 


Pior ainda, as versões mais recentes do projeto, por pressão da associação de montadoras mexicana, retiraram os requisitos de proteção frontal e lateral para os ocupantes dos veículos, o que foi duramente criticado pelo Latin NCAP. Por sua vez, as montadoras se defendem, explicou Furas, dizendo que seus carros são seguros porque “atendem todos os requisitos da legislação vigente”...


Para a PROTESTE, não é novidade a atuação no campo da segurança veicular. “A capa do primeiro número da revista PROTESTE, em 2002, já tratava de um teste de colisão”, lembrou o gerente da Área Técnica de Produtos e Serviços da Associação, Sergio Mardirossian. 


Os testes levaram à criação da Latin NCAP, juntamente com outras entidades. E a pressão sobre o governo para a adoção de itens mais modernos de segurança, levou à lei que tornou obrigatória, desde o ano passado, a presença de airbags e freios ABS em todos os veículos vendidos no país.


O Congresso Mundial da Consumers International reúne associações de consumidores de todo o mundo, e pela primeira vez está sendo realizado no Brasil – mais exatamente em Brasília. Participam cerca de 450 delegados de 80 países. Você pode ver mais informações sobre o evento aqui


 

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