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Alterações no cartão de crédito podem ser uma armadilha para o consumidor

08 fevereiro 2017
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08 fevereiro 2017
Além de não garantir a redução dos juros, a resolução do conselho monetário nacional pode agravar a possibilidade de endividamento.

Alterações no cartão de crédito podem ser uma armadilha para o consumidor

A partir do mês de abril as administradoras de cartão de crédito não poderão mais financiar o saldo devedor dos clientes por meio do crédito rotativo por mais de um mês. De acordo com a nova medida, a instituição financeira deverá parcelar o saldo devedor em linha de crédito com juros mais baixos do que os juros praticados no financiamento na modalidade de crédito rotativo. 

No entanto, a nova regra não impede o uso do cartão mesmo se estiver no rotativo e não prevê nenhuma alteração do limite de crédito dos clientes. Quem estiver dentro do limite, poderá utilizar o cartão de crédito normalmente e na prática isso significa uma abertura para contrair dívidas, que quando acumuladas podem se tornar impagáveis. 


Faltam garantias para que haja a redução de juros 

A PROTESTE ressalta que a Resolução não estabelece qual é a modalidade de crédito a ser oferecida, deixando portanto, a exclusivo critério da instituição financeira a fixação da modalidade a ser oferecida. A única exigência é que a taxa de juros seja inferior a taxa do crédito rotativo. 

Logo, se as taxas praticadas não possuem qualquer tipo de limite fixado pela legislação, não há de fato nada que garanta a redução dos juros praticados pelos fornecedores no caso de inadimplência que decorra da utilização do cartão de crédito. Afinal, muitos bancos já fazem o parcelamento do valor da fatura com juros inferiores aos cobrados no rotativo. Ainda assim, as taxas são altíssimas. 


Medida pode agravar endividamento 

De acordo com estudos realizados pela PROTESTE, em 2016, a taxa média do rotativo ficou em 476% ao ano, enquanto a taxa média no caso da fatura parcelada foi de 236% ao ano. Isso significa que, na prática, ao contrário do que se propõe, a medida poderá ser a responsável pelo agravamento da situação financeira das famílias com a elevação dos índices de inadimplência do consumidor.

Fizemos uma simulação (para entender os cálculos, clique aqui) com o intuito de comparar o atual  funcionamento do rotativo e como vai ser a partir de abril. Fizemos, um cenário aonde o consumidor tem uma fatura no valor de R$ 1 mil e paga somente o mínimo (15%) no primeiro mês. Percebeu-se então, que a diferença entre regra nova e a antiga foi de apenas R$ 461,82.
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Como já mencionamos, o parcelado do cartão tem juros menores do que o do rotativo, mas não o suficiente para que o consumidor não se atole em dívidas, pelo contrário, com o apelo de que no mês seguinte é possível parcelar o saldo devedor do rotativo a juros menores, acaba sendo o um incentivo ao uso do cartão de crédito de modo desenfreado e gerando dívidas  que viram uma ‘bola de neve’. 

A nova medida em nada ajuda a diminuição dos juros do rotativo do cartão de crédito, além de ser paliativa, o problema maior ainda está na concessão de crédito fácil pelos bancos que ofertam limites de crédito muito além da capacidade de pagamento. Com isso, o consumidor o usa de forma desenfreada, se endivida e muitos acabam entrando no famoso rotativo em questão. 

Por fim, diante das novas regras anunciadas pelo governo é preciso ter cuidado para não se iludir com uma hipotética redução da taxa de juros e acabar gastando além da sua capacidade de pagamento na esperança de conseguir quitar sua dívida com o cartão de crédito. Por isso, é importante usar o cartão de crédito de forma que seja possível efetuar o pagamento de todas as despesas no vencimento da fatura e evitar dívidas.

 

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