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PROTESTE pede ao Banco Central a redução de juros do rotativo no cartão de crédito

02 dezembro 2015

02 dezembro 2015

Em reunião, propostas apresentadas são para limitar cobranças das altas taxas de juros do rotativo do cartão de crédito, que podem chegar a 750% ao ano. Atual cenário favorece a lucratividade dos bancos e endividamento dos consumidores.



Em reunião com o Banco Central, na última terça-feira, (1º), a PROTESTE apresentou proposta para limitar os juros do rotativo do cartão de crédito. A sugestão é que o Banco Central limite a taxa de juros cobrada ao consumidor a até o dobro do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), com revisão anual. 


A justificativa da PROTESTE para sugerir esse cálculo leva em conta a definição de que juro é “o custo cobrado pelo empréstimo do dinheiro” e considera que os bancos pegam dinheiro emprestado entre eles  usando a taxa do CDI. Desta forma, garante-se uma remuneração de até 100% do custo de tomada do dinheiro. 


Atual cenário visa lucro dos bancos 


“O cenário hoje é extremamente favorável ao ganho fácil por parte dos bancos, pois a outra ponta – a do tomador – está extremamente vulnerável e desprotegida”, destaca Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da PROTESTE. 


O percentual de famílias endividadas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros alcançou 62,1% em Outubro último. E a modalidade rotativo do cartão de crédito foi apontada como uma dos principais tipos de dívida por 78,5% das famílias endividadas


É o que aponta a última pesquisa de endividamento e inadimplência do consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) com cerca de 18 mil consumidores de todas as capitais dos estados e do Distrito Federal. 


Juros praticados são muito altos 


Em julho de 2015, na pesquisa anual sobre cartões de crédito a PROTESTE encontrou cartões que praticam juros no rotativo de quase 750% ao ano


Para exemplificar a gravidade da situação, foi considerado o caso de um cliente desse cartão que utilize o crédito rotativo em sua fatura de R$ 1 mil, ou seja, pague somente o mínimo R$ 200 (20% da fatura) e deixe essa dívida rolar. No final de 12 meses, a dívida acumulada chegará a quase R$ 7mil. Isso só de financiamento e juros, sem contar as futuras compras. 


A concessão do crédito aos consumidores é muito facilitada. “Cobramos uma oferta crédito de maneira consciente”, afirma Maria Inês Dolci. Adquirir um cartão de crédito com limite superior à renda mensal é mais comum do que se imagina. 


As condições de pagamento são muito tentadoras: pode-se comprar em inúmeras parcelas no cartão de crédito, que, em muitos casos, incorrem juros absurdos. Os consumidores, por sua vez, utilizam o cartão de crédito de modo desenfreado, muitos até como extensão da renda. Os limites costumam ser muito superiores à capacidade de pagamento


Insituições financeiras favorecem o endividamento 


A PROTESTE questiona: se o consumidor não deve comprometer mais de 30% da sua renda com pagamento de empréstimos e/ou financiamentos, como isso não é levado em conta quando se disponibilizam limites tão elevados para gastos com cartão de crédito? As taxas de inadimplência são elevadas, mas cabe à instituição credora ofertar crédito de maneira coerente para que essas taxas sejam bem menores. 


Parte da culpa desse processo de endividamento cabe às instituições financeiras. Além das taxas exageradas, o processo de concessão de crédito é falho e leva as famílias a contraírem vários financiamentos, cujo valor das prestações chega a superar a própria renda mensal. 


Sabemos que as instituições praticam as taxas que bem entendem, pois não há regulamentação que defina um teto, ou seja, é livre mercado. Acreditamos que os juros estejam no patamar em que se encontram também por conta disso.


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