Notícia

PROTESTE pede ao Banco Central a redução de juros do rotativo no cartão de crédito



Em reunião com o Banco Central, na última terça-feira, (1º), a PROTESTE apresentou proposta para limitar os juros do rotativo do cartão de crédito. A sugestão é que o Banco Central limite a taxa de juros cobrada ao consumidor a até o dobro do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), com revisão anual. 


A justificativa da PROTESTE para sugerir esse cálculo leva em conta a definição de que juro é “o custo cobrado pelo empréstimo do dinheiro” e considera que os bancos pegam dinheiro emprestado entre eles  usando a taxa do CDI. Desta forma, garante-se uma remuneração de até 100% do custo de tomada do dinheiro. 


Atual cenário visa lucro dos bancos 


“O cenário hoje é extremamente favorável ao ganho fácil por parte dos bancos, pois a outra ponta – a do tomador – está extremamente vulnerável e desprotegida”, destaca Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da PROTESTE. 


O percentual de famílias endividadas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros alcançou 62,1% em Outubro último. E a modalidade rotativo do cartão de crédito foi apontada como uma dos principais tipos de dívida por 78,5% das famílias endividadas


É o que aponta a última pesquisa de endividamento e inadimplência do consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) com cerca de 18 mil consumidores de todas as capitais dos estados e do Distrito Federal. 


Juros praticados são muito altos 


Em julho de 2015, na pesquisa anual sobre cartões de crédito a PROTESTE encontrou cartões que praticam juros no rotativo de quase 750% ao ano


Para exemplificar a gravidade da situação, foi considerado o caso de um cliente desse cartão que utilize o crédito rotativo em sua fatura de R$ 1 mil, ou seja, pague somente o mínimo R$ 200 (20% da fatura) e deixe essa dívida rolar. No final de 12 meses, a dívida acumulada chegará a quase R$ 7mil. Isso só de financiamento e juros, sem contar as futuras compras. 


A concessão do crédito aos consumidores é muito facilitada. “Cobramos uma oferta crédito de maneira consciente”, afirma Maria Inês Dolci. Adquirir um cartão de crédito com limite superior à renda mensal é mais comum do que se imagina. 


As condições de pagamento são muito tentadoras: pode-se comprar em inúmeras parcelas no cartão de crédito, que, em muitos casos, incorrem juros absurdos. Os consumidores, por sua vez, utilizam o cartão de crédito de modo desenfreado, muitos até como extensão da renda. Os limites costumam ser muito superiores à capacidade de pagamento


Insituições financeiras favorecem o endividamento 


A PROTESTE questiona: se o consumidor não deve comprometer mais de 30% da sua renda com pagamento de empréstimos e/ou financiamentos, como isso não é levado em conta quando se disponibilizam limites tão elevados para gastos com cartão de crédito? As taxas de inadimplência são elevadas, mas cabe à instituição credora ofertar crédito de maneira coerente para que essas taxas sejam bem menores. 


Parte da culpa desse processo de endividamento cabe às instituições financeiras. Além das taxas exageradas, o processo de concessão de crédito é falho e leva as famílias a contraírem vários financiamentos, cujo valor das prestações chega a superar a própria renda mensal. 


Sabemos que as instituições praticam as taxas que bem entendem, pois não há regulamentação que defina um teto, ou seja, é livre mercado. Acreditamos que os juros estejam no patamar em que se encontram também por conta disso.


Gostou deste conteúdo? Cadastre-se agora e receba gratuitamente informações da PROTESTE!


Imprimir Enviar a um amigo