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Optar pela nova regra do FGTS pode ser uma cilada

Se os cotistas optarem pela nova regra podem ficar sem ter acesso ao saldo do Fundo Garantidor de Crédito (FGTS) em caso de demissão sem justa causa

26 julho 2019 |
fgts-saque-novas-regras

Depois de muita especulação e euforia a respeito das mudanças nas regras sobre o saque do FGTS, o governo divulgou como funcionará a possibilidade de cotistas resgarem seus saldos de contas ativas e inativas. 

De acordo com as novas regras, para todos os trabalhadores que tiverem saldo será possível resgatar até R$ 500 neste ano do FGTS até abril de 2020 (o calendário ainda será divulgado). A partir de outubro deste ano até 2020, os cotistas deverão fazer uma escolha, ou permanecer no modelo atual agora chamado de “saque-rescisão” ou poderão sacar uma parte do saldo o que seria o “saque-aniversário”, cujo percentual varia de acordo com o valor acumulado (tabela abaixo).

Mas para sacar estes valores, o cotista deverá solicitar na Caixa Econômica Federal a alteração para a modalidade de saque-aniversário. Entretanto, antes de tomar essa decisão, o trabalhador deve considerar que ao fazer isso estará abrindo mão de receber a totalidade do que tem no FGTS em caso de demissão sem justa causa. Para voltar a opção de “saque rescisão”, o trabalhador deverá esperar dois anos a partir da primeira solicitação.

Por essa razão, apesar do dinheiro no FGTS render muito pouco 3% ao ano mais a variação da taxa TR (o que se considerarmos o período dos últimos 12 meses somando as duas significou um rendimento de 3% porque a TR foi de 0% no período), acreditamos que dificilmente será vantajoso para o consumidor solicitar essa mudança de modalidade de saque, entendemos que as vantagens são poucas frente ao cenário de ficar sem o dinheiro do FGTS em um momento delicado de demissão, em que qualquer dinheiro é bem vindo. Para chegarmos a essa conclusão imaginamos diferentes cenários, veja se você se identifica com algum deles:

1) Trabalhador com saldo R$ 10 mil no FGTS com salário de R$ 3.500: Supondo que a empresa em que trabalha continua fazendo depósitos nesta no fundo. Neste caso o trabalhador poderia sacar R$ 500 neste ano, R$ 2.846 em 2020, e R$ 2.873, o que daria um total de R$ 6.223. Neste exemplo, se o trabalhador investisse esses valores em uma aplicação que rendesse a mesma coisa que o CDI, a soma dessas aplicações subiria para aproximadamente R$ 6.644, o que geraria um rendimento de 421. Além disso, o trabalhador acumularia um valor de R$ 11.688 no FGTS, o que somando os dois valores dá um valor de R$ 18.332.

Considerando que o trabalhador sempre investirá a uma taxa mais atrativa do que rende o FGTS, em caso de não demissão sem justa causa, sempre valerá a pena sacar. Se ele deixasse o dinheiro parado no FGTS no final de 2021 acumularia um montante de R$ 18.170. Ou seja, um risco muito alto que a pessoa irá ocorrer de mudar regime e poder ficar sem o valor do FGTS se ficar desempregado por causa de R$ 162.

2) Trabalhador com saldo de R$ 250 mil no FGTS com salário de R$ 17 mil: Neste caso, o trabalhador também sacaria R$ 500 neste ano, R$ 15.940 em 2020, e R$ 16.138 em 2021. Esse valores somados correspondem a R$ 32.578, e que se investidos a ao equivalente ao CDI, podem se transformar em R$ 33.987. Além disso, o valor na conta do FGTS ao final de 2021 acumulará um montante de R$ 268.612. Somando o valor que foi investido e o saldo do FGTS, chega-se um valor de R$ 302.600. Se o trabalhador deixar o dinheiro sem mexer no FGTS, optando pelo modelo antigo, no final de 2021 ele terá acumulado um montante de R$ 290.979, uma diferença de R$ 11.620. Apesar de ser uma diferença consideravelmente maior do que o cenário 1, ainda não aconselhamos essa estratégia. O benefício financeiro é muito pouco perto do prejuízo que o trabalhador pode ter no caso de ser demitido sem justa causa e por isso não poder sacar o valor do FGTS.

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Então para quem vale a pena sacar os valores?

Ironicamente a decisão de optar pela modelo “saque-aniversário” só vale a pena para aqueles que não dependem do valor acumulado no FGTS no caso de demissão sem justa causa. Neste caso, a pessoa já teria o suficiente para poder se virar até se realocar e os saques anuais serão apenas um adicional a principal reserva.

Além disso, ainda é mais interessante para aquelas pessoas que além de ter recursos suficientes para se manter independente do montante no FGTS e sabem investir ou tem a possibilidade ter uma ajuda profissional para isso. Isso significa que elas poderão montar uma carteira diversificada, com mais possibilidades de render acima do CDI e portanto muito a mais do que o rendimento do FGTS.

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