Notícia

Greenwashing engana consumidor desatento

18 março 2013

18 março 2013
Empresas usam a estratégia da maquiagem verde para seduzir clientes com falsos apelos ecológicos.

Greenwashing engana consumidor desatento

Devido aos problemas ambientais, a busca por produtos ecologicamente corretos cresceu nos últimos anos. E, por conta da “caça aos verdes”, muitas empresas usam a sustentabilidade como marketing. Entretanto, alguns fabricantes induzem o consumidor a conclusões erradas. Esse fenômeno, conhecido como “maquiagem verde” (ougreenwashing) foi estudado pela consultoria de marketing ambiental Terra Choice, que o classificou em sete categorias, chamadas de “Os Sete Pecados da Rotulagem Ambiental”.

    Na edição 123 da Revista Proteste, mostramos cada uma das situações em que o consumidor é enganado, e destacamos que um greenwashing comum é a publicidade em televisão, que com seus elementos gráficos desvia a atenção do consumidor. Outro exemplo comum é o da falta de prova, ou seja, quando as empresas dizem que fazem muito pelo ambiente – ou pela comunidade – e, no entanto, não mostram qualquer prova disso.

    Estudo apontou diferença de preços:

    Selecionamos produtos de supermercados do Rio de Janeiro e comparamos seus preços com os de suas versões ecológicas (veja abaixo). Vimos que há empresas que se preocupam com o impacto que seus produtos causam, porém algumas cometem um ou mais pecados de greenwashing. Notamos que a principal forma de convencer o consumidor é chamando a atenção para informações irrelevantes. Fique atento, pois alguns itens não apresentaram diferença entre suas versões – o que não justificaria o aumento do preço.

    Não existe regulamentação no Brasil:

    Não há uma obrigatoriedade de lei no Brasil para as autodeclarações ecológicas constarem dos rótulos dos produtos.Entretanto, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) possui um programa de rotulagem ambiental baseado nas normas ISO 14.020. Em 2011, o Conar acrescentou ao Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária normas detalhadas sobre o tema. Encaminhamos o estudo ao Conar, com fundamento no direito do consumidor à informação, solicitando providências de alteração das rotulagens e propagandas irregulares.

    Compare a variação de preços entre os produtos em sua versão convencional e na versão "ecologicamente correta", ambas com a mesma capacidade. Os valores são de referência, coletados no mês de janeiro, em lojas virtuais: 

 

Produtos Ecológicos x Produtos ConvencionaisTabela de preços de Produtos Ecológicos x Produtos Convencionais

Por que fizemos a análise:

    Ao divulgar a matéria “Greenwashing engana consumidor desatento”, a PROTESTE Associação de Consumidores não teve intenção de denegrir a imagem das empresas cujos produtos foram citados. Devido ao aumento da demanda por produtos mais “verdes”, muitas empresas passaram a apostar na sustentabilidade como marketing dos seus produtos, algumas de forma genuína e transparente, outras apenas maquiando-os com apelos ecológicos.

    Como entidade de defesa do consumidor temos legitimidade para comprar um produto tal como ele é oferecido aos consumidores e analisá-lo, para depois poder compará-lo com os de outros fabricantes.A finalidade deste processo é a de informar os consumidores sobre a qualidade, o preço, assim como a veracidade das informações dos rótulos, e publicidade dos produtos oferecidos no mercado brasileiro.

    Sem critérios claros que respaldem suas pretensões ambientalistas, ou, ainda, através da apresentação de símbolos e apelos visuais, as empresas podem induzir o consumidor a conclusões erradas sobre o produto ou serviço que deseja comprar. Estes apelos que se apresentam como falsos ou que induzem o consumidor a falsas conclusões sobre o produto ou serviço estão cometendo o fenômeno do Greenwashing (maquiagem verde).


Imprimir Enviar a um amigo