Notícia

Os jovens e a inadimplência

05 dezembro 2005

05 dezembro 2005

A PROTESTE listou algumas dicas aos jovens de como fazer uma compra bem pensada e controlar os gastos para não começar o ano novo já com dívidas. Veja ainda aqui modelos de cartas que podem lhe ajudar a negociar o pagamento de suas dívidas.

1. CENÁRIO

A Revista Época, em sua edição n° 389, de 31 de outubro de 2005, publicou uma reportagem com o levantamento do perfil dos inadimplentes brasileiros, cuja conclusão é espantosa: 39% do total de nomes protestados no SPC, apenas no mês de setembro de 2005, está na faixa etária entre os 18 e 30 anos. E vejam o mais incrível: 6% desse total, são jovens cuja idade não ultrapassa os 20 anos.

Segundo psicóloga entrevistada pela reportagem, vivemos num tempo em que a sociedade é instada, de forma avassaladora, ao consumo, e um dos principais motivos que levam os jovens a serem atingidos pela compulsão por compras – o que acaba acarretando a inadimplência – é fruto da mensagem passada principalmente pelos meios publicitários “de que somos o que possuímos, e de que bens materiais têm a capacidade de acabar com os problemas”.

É evidente que estamos sofrendo uma abordagem cujos valores estão totalmente equivocados.

2. FATOS

Adquirir produtos e serviços faz parte da vida, mas o que está acontecendo é que os jovens, eminentemente imediatistas, são presas mais fáceis desse sistema. Notadamente quando se vêem entrando no mercado de trabalho, ficam ainda mais ansiosos, não estão bem preparados emocionalmente para manter o seu desejo pelo consumo em um nível saudável. O resultado, infelizmente, é a inadimplência, que acarreta efeitos negativos, não somente do ponto de vista financeiro, mas também social, vez que estes jovens têm seus nomes inscritos, prematuramente, nos cadastros de devedores.

Segundo dados colhidos recentemente, os débitos têm origem em carnês/boletos de cobrança de lojas, cartões de crédito e cheques, nessa ordem.

É preciso lembrar que ter o nome inserido nos cadastros de proteção ao crédito pode ser um grande obstáculo para aqueles que pretendem uma vaga no mercado de trabalho, ou um fator complicador e de risco para aqueles que já a têm. Como exemplo: se o trabalhador bancário, que não paga pontualmente suas obrigações, pode ser despedido por justa causa, pelo mesmo motivo o pretenso candidato pode também não ser admitido.

Apesar de não haver uma regra expressa para todas as outras relações trabalhistas, esse entendimento pode ser aplicado para funções que tenham contato com valores, como, por exemplo, os caixas de supermercado. Embora seja questionável estender essa regra a outras categorias de trabalhadores, muitos processos seletivos não são transparentes e as empresas acabam se valendo desses cadastros para avaliar características pessoais do candidato, como responsabilidade e honestidade, sem, contudo, deixar claro o motivo pelo qual se optou por um trabalhador em detrimento de outro.

Ter uma orientação segura desde a infância de como administrar seu próprio orçamento, seja por meio das mesadas dadas pelos pais e avós, seja acompanhando o orçamento doméstico, é um bom começo. O jovem precisa ser bem orientado, para não perder o foco e a visão da realidade, já que vivemos em um mundo globalizado que apela, incessantemente, ao consumismo.

3. ORIENTAÇÃO PROTESTE

3.1 PREVENTIVAMENTE

Algumas atitudes podem diminuir as chances de você, jovem, se tornar um gastador compulsivo e, em caso extremo, um inadimplente.

O primeiro passo é saber o tamanho de seu bolso e listar o que realmente precisa, por ordem de prioridades, evitando agir por impulso. Extravagâncias, somente se o seu orçamento realmente o permitir.
É necessário ter em mente o quanto de sua renda está realmente disponível para novas compras. Isso porque é possível que parte do seu orçamento já esteja comprometido com gastos fixos, como provedores de internet, taxas de serviços bancários e de cartão de crédito, contas de celular, além de parcelas pendentes de compras já realizadas.

O segundo passo é pesquisar bastante, o que exige tempo e paciência, tomando todas as informações sobre o que vai comprar, comparando preços, marcas, recursos técnicos oferecidos (em caso de produtos) e condições de pagamento.

Uma vez decidida a compra, aconselhamos a privilegiar, sempre, os negócios à vista. Em geral, pode-se conseguir um bom desconto neste tipo de pagamento, além de evitar a cobrança dos juros e taxas que normalmente são embutidos no preço. As compras a prazo podem oferecer um atrativo a mais, porém é preciso ter cuidado para não se deixar iludir. Não ter a visão do custo real, pode acarretar um déficit não previsto no orçamento mensal.
Além disso, você deve fugir de alguns empréstimos bancários, como é o caso do cheque especial, pois estes muitas vezes jogam o consumidor em um círculo vicioso, do qual não consegue se livrar, o que só faz aumentar a dívida existente.

Aliás, quanto mais fácil o acesso ao crédito, mais altas serão as taxas de juros cobradas (ainda mais quando houver inadimplência), como o exemplo do cheque especial e os cartões de crédito. Portanto, antes de realizar uma compra a prazo, vale a pena buscar informações sobre as alternativas de financiamento para a compra de bens junto aos bancos, que podem oferecer tarifas menores de juros.

E saiba que, junto ao seu banco, você pode encontrar linhas de crédito específicas para o produto ou serviço que deseja adquirir, como é o caso de microcomputadores. Hoje esta aquisição conta, inclusive, com a ajuda do Governo Federal, por meio do programa “Computador para Todos”, que pode ser contratado junto ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal, seguindo-se os critérios que estão sendo disponibilizados nos meios de comunicação. Vale a pena se informar sobre o assunto.

Mas não se esqueça de que um outro ponto deve ser considerado: se você ainda não tem emprego fixo e depende de mesadas, trabalhos temporários ou estágios, fuja de parcelamentos a longo prazo, pois podem ser muito mais arriscados.

Mantenha o controle de seus gastos, em especial na utilização de cartões de crédito ou mesmo, de débito. Eles são práticos, mas podem ser fontes de dívidas e causar muitos problemas. Evite contratar um cartão de crédito com limite alto, e não se esqueça de guardar todos os recibos de compras. Só use o cartão se tiver certeza de que poderá pagar a fatura.

Por fim, sugerimos guardar sempre os comprovantes das compras realizadas e elaborar uma planilha dos gastos, mês a mês.

3.2 QUANDO O PROBLEMA JÁ EXISTE

Mas o que fazer se a dívida já estiver constituída e o seu pagamento parecer inviável?
Primeiramente, é preciso manter a cabeça no lugar e não se desesperar. É comum nesse momento o consumidor acabar contratando novas dívidas (como novos financiamentos ou ofertas duvidosas de crédito fácil), aumentando ainda mais seu montante devedor.

Procure, em primeiro lugar, negociar a dívida com o fornecedor, embora ele não esteja obrigado, por lei, a aceitar esta negociação. No entanto, bons acordos podem ser feitos: explique a situação e faça uma proposta que possa efetivamente cumprir. Para o credor, é sempre mais interessante aceitar o acordo. Mas fique atento: qualquer tratativa precisa ser feita, sempre, por escrito; isto é uma garantia para ambas as partes. O pior que pode acontecer é uma negativa do credor, ficando tudo como estava antes.

É bom lembrar que o fornecedor somente pode enviar o nome do consumidor para cadastros de proteção ao crédito após tê-lo comunicado previamente do fato. Isto dá a você, jovem consumidor, a oportunidade de saldar o débito ou de eventualmente corrigir algum erro cometido pelo fornecedor.

Se assim for, sugerimos as outras alternativas:
Tente expor o problema a seus familiares e/ou amigos. Apesar de incômodo e constrangedor, esse passo pode ser a melhor alternativa, pois muitas vezes se consegue uma ajuda financeira sem a cobrança de juros, ou com taxas muito menores do que as de mercado.

E veja: sempre que conseguir poupar algum dinheiro, quite antecipadamente (total ou parcialmente) as compras feitas em parcelas, pois este pagamento lhe dá direito a um abatimento proporcional dos juros cobrados, o que já diminui o montante final da dívida.
Quando a situação for de maior gravidade, haverá a possibilidade de se discutir a dívida em Juízo, principalmente no tocante aos juros. A dívida em si, uma vez existente, terá que ser paga; não se pode colocar a segurança dos negócios em risco.

Somente depois de quitadas as dívidas, fica o fornecedor obrigado a retirar o seu nome dos cadastros de inadimplentes. Mas há um detalhe: enquanto a dívida estiver sendo discutida em Juízo, o nome do consumidor não pode ser inserido nos referidos cadastros, sendo possível também solicitar ao juiz que determine a retirada do nome, até que seja dada a solução judicial para o caso.

4. CONCLUSÃO

O final do ano está se aproximando. Mas, de qualquer forma, fazer uma aquisição bem pensada e planejada, ”ter juízo” na hora das compras, é o nosso principal conselho.
Faça um relato de todos os gastos previstos para esta época do ano, como presentes para amigo secreto, familiares, namorado(a), festas, caixinhas de final de ano, viagens, combustível, etc. Evite, por fim, gastar mais do que seu bolso permite, pois todo cuidado é pouco para não se chegar à inadimplência!

Esperamos que esta mensagem da PROTESTE possa ajudá-lo a se manter longe de problemas e frustrações.
Por fim, saiba mais procurando se informar quanto aos seus direitos em entidades de defesa do consumidor, como a PROTESTE, que orienta diretamente seus associados.

Veja em Documentos adicionais alguns modelos de cartas que podem lhe ajudar (aconselhamos que sejam postadas com Aviso de Recebimento dos Correios).


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