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Consumo de plástico: ajude a reduzir

02 fevereiro 2010

02 fevereiro 2010

Elisabeth Grimberg, especialista em gestão de resíduos sólidos, mostra como você pode contribuir para diminuir o descarte do material.

1) Qual é a situação da coleta seletiva de plástico no Brasil?

Os plásticos, assim como, outros resíduos descartáveis - vidros, papel e papelão, metais - ainda são em sua maioria destinados para aterros e lixões. Segundo dados do Cempre 2008, apenas 405 municípios brasileiros dentre os 5564 têm programas de coleta seletiva e vale lembrar que isso não significa que toda a população dos mesmos participe, separando seus materiais em seus domicílios.

Hoje apenas 11% do total de resíduos domiciliares gerado no Brasil é destinado para a reciclagem. Este índice não é menor graças à atuação dos catadores que recuperam a maior parte dos materiais. Além disso, estimativas apontam que 80% dos materiais que abastecem as indústrias de reciclagem advêm do trabalho dos catadores.

Dados de 2007 da Plastivida apontam que foram reciclados 592 mil toneladas neste ano, sendo que os plásticos mais reciclados foram PET (48,8%), PEBD/PELBD (18,9%) e PP (12,1%).

O índice de reciclagem de plásticos pós consumo, em 2007, foi ainda bastante baixo, 21,2%, segundo o estudo Monitoramento dos Índices de Reciclagem Mecânica de Plástico no Brasil, publicado em 2008 pela Plastivida.

2) O que os governantes podem fazer para termos um maior índice de reciclagem no país?

Os governos municipais podem e devem implementar programas de coleta seletiva associados a programas de educação socioambiental nos municípios, de forma a que a população participe efetivamente separando e entregando limpos os materiais recicláveis.

Naqueles municípios em que existem catadores trabalhando nas ruas e/ou cooperativas é importante que as prefeituras estruturem um sistema público de recuperação de resíduos - ou seja, façam investimentos para equipar as cooperativas com galpões, maquinários (prensa, balança, empilhadeira, equipamentos de proteção individual etc) e capacitação para a prestação de serviço de coleta seletiva e para a gestão interna das cooperativas.

É papel das prefeituras integrar os catadores para que eles prestem o serviço de coleta seletiva, triagem e beneficiamento dos materiais recicláveis e que os remunere devidamente. Ou seja, as prefeituras precisam mudar seu paradigma de gestão de resíduos sólidos e reconhecer que os catadores aportam diversos benefícios para as cidades:

a) econômico, ao se reduzir a quantidade de resíduos destinadas para aterros (ou depósitos a céu aberto), o que representa também redução de gastos do poder público;

b) ambiental ao não se enterrar resíduos reduz-se o impacto dos aterros ao meio ambiente, por um lado e, por outro, ao se reciclar materiais pós-consumo tem-se uma economia de energia, matérias primas e água, e por fim,

c) social ao se garantir condições de trabalho digno à população de catadores que hoje estima-se esteja entre 800 mil a um milhão de pessoas.

3) Existe alguma ação prevista quanto a situação dos catadores de plástico?

Os catadores não atuam apenas na cadeia da recuperação de plásticos e portanto o projeto de capacitação, apoiado pela FUNASA e MDS que está previsto para ser desenvolvido com o apoio do governo federal, envolve a categoria como um todo.

Também está previsto o desenvolvimento de um projeto para apoio à infra-estrutura das cooperativas, por meio do apoio do BNDES e MTE.

4) Qual tipo de plástico é mais reciclado no Brasil e por quê?

O plástico que mais se recicla é o PET. A pressão feita pela sociedade ao apontar que esta embalagem era a que mais contribuía para o assoreamento dos rios e córregos e, conseqüentemente, para as enchentes, fez com que as empresas produtoras de bebidas e de embalagens estruturassem a indústria da reciclagem para tentar reduzir o impacto negativo sobre sua imagem

5) O que os consumidores podem e devem fazer para diminuir o consumo e o descarte de plástico?

Primeiramente, pode-se tentar evitar o consumo de embalagens, sempre que possível: levar suas sacolas para as compras, consumir produtos a granel que permitam a reutilização de vasilhames.

Em segundo lugar, é preciso interpelar as empresas, diretamente, por meio de fóruns de debate, cartas à midia, etc, sobre a questão da descartabilidade das embalagens. Ou seja, é preciso que a sociedade participe do debate sobre os benefícios das embalagens retornáveis e pressione para que que se estebeleçam leis, normas e metas que garantam a reutilização das embalagens para a mesma finalidade.

São reduzidas as possibilidades das pessoas para promover uma efetiva redução da geração de plásticos descartáveis, visto que a falta de opções de produtos, no ato do consumo, em embalagens ambientalmente sustentáveis, como é o caso o vidro (retornável e passível de ser reutilizado 35 vezes), limitam sua participação.

Mas, ainda que devamos priorizar os 2 Rs - reduzir, reutilizar, ficando por último o terceiro R – reciclar. Os cidadãos e cidadãs também podem contribuir na separação de seus recicláveis destinando-os para as associações e cooperativas de catadores que atuam nos bairros de suas cidades.

E tão importante quanto esta atitude colaborativa é, também, pressionar o poder público para que implante programas de coleta seletiva nas cidades e integre a categoria dos catadores nos serviços e os remunere de forma adequada pelo trabalho que desenvolvem. Com estas atitudes contribuiremos para avançar rumo a uma sociedade socialmente justa e ambientalmente sustentável.


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