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Crédito para Tratamentos estéticos
Os médicos não podem fazer publicidade das condições de pagamentos que oferecem a seus pacientes.
25 maio 2011 |
As opções de crédito pessoal, consórcio e parcelamento disponíveis no mercado têm tornado as cirurgias plásticas mais acessíveis no Brasil. Junto com esse aumento, cresce também a publicidade de clínicas médicas que realizam cirurgias plásticas e tratamentos estéticos. São estabelecimentos que anunciam na mídia parcerias com bancos e parcelamentos que podem chegar a 36 vezes.

Na entrevista a seguir, o Dr. Emmanuel Fortes, 3º Vice-presidente e diretor do Departamento de Fiscalização do Conselho Federal de Medicina (CFM) e psiquiatra, fala sobre regras de propaganda para os  médicos e as clínicas, a relação com instuições financeiras e os cuidados que as pessoas devem ter ao escolher um cirurgião.   

Médicos que realizam procedimentos estéticos, como cirurgiões plásticos e dermatologistas, podem  ser parceiros de entidades financeiras? 
Não. Isso é vetado pelo CFM e pelo Código de Ética Médica. O nome e a atividade destes profissionais não podem estar vinculados a uma instituição financeira. Os cirurgiões ou dermatologistas também não podem oferecer seus serviços mediante pagamento via consórcio. Não entendemos como a legislação brasileira permite que administradoras ofereçam consórcios de cirurgia plástica.
Qual a posição do CFM sobre anúncios de parcelamentos de plásticas e tratamentos estéticos? 
O paciente e o médico têm o direito de negociar o pagamento do procedimento em quantas vezes acharem melhor, sem o intermédio de bancos. Essa é uma relação na qual não podemos interferir. Mas o médico está proibido de fazer publicidade das condições que oferece. Tal atitude pode resultar em  advertência ou até mesmo na cassação de seu registro profissional, como prevê a Resolução 1701. Esta estabelece os critérios da propaganda em medicina.
Quais procedimentos cirúrgicos eram considerados estéticos e hoje são cobertos por planos de saúde?  
Defendemos que os planos de saúde continuem a cobrir apenas as cirurgias plásticas para fins reparadores, que tenham relação com alguma enfermidade e sem objetivos estéticos.
Como médico psiquiatra, de que forma vê os pacientes que se submetem a plásticas e tratamentos estéticos frequentes e chegam a se endividar para pagá-los?
É importante que as pessoas que queiram fazer uma plástica conversem com um psiquiatra ou psicólogo para saber se estão realmente preparadas para o procedimento. Cabe também ao cirurgião identificar se o resultado almejado pelo paciente é viável. É importante consultar o registro do médico no CFM e no conselho regional para saber se o profissional está ativo.
Como o CFM vê o aumento expressivo do número de plásticas no Brasil? 
É muito positivo que os procedimentos estejam mais acessíveis à população. Por outro lado, há muitas pessoas que não precisam, mas estão fazendo plástica. As pessoas precisam ter em mente que plástica é uma cirurgia como qualquer outra, portanto oferece riscos. O paciente pode desenvolver infecções e quelóides (cicatrizes que se projetam além da superfície da pele), por exemplo. Isso é preocupante.

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