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Olimpíadas 2016: pontos turísticos do Rio de Janeiro deixam a desejar em teste de segurança

14 junho 2016

14 junho 2016

PROTESTE pediu monitoramento e fiscalização dos órgãos responsáveis.

Falhas no policiamento e falta de sinalização dos extintores de incêndio, dos hidrantes, equipamentos quebrados e sem conservação, com riscos aos frequentadores, e banheiros sem higiene. Estes foram alguns dos problemas encontrados pela PROTESTE na avaliação de seis pontos turísticos do Rio de Janeiro: Corcovado, Pão de Açúcar, Jardim Botânico, Arcos da Lapa, Lagoa Rodrigo de Freitas e Aterro do Flamengo. 

As condições de segurança deixaram a desejar nos pontos turísticos mais famosos da cidade. Diante dos resultados, a PROTESTE cobrou monitoramento e fiscalização do Corpo de Bombeiros, da Polícia, da Prefeitura e dos órgãos responsáveis pela administração desses pontos turísticos. O objetivo é que sejam sanadas as irregularidades o mais breve possível, evitando, assim, que acidentes graves aconteçam principalmente às vésperas de um grande evento, como as Olimpíadas Rio 2016. 


Riscos de acidentes são diversos 


Em relação a riscos de acidentes, identificam-se os mais diversos. Na ciclovia do Aterro do Flamengo há desníveis, como bueiros, buracos e trincas, áreas de afunilamento de pista, pedras soltas e areias, o que aumenta as chances de acidentes. Além disso, tanto na Lagoa quanto no Aterro, a ciclovia é compartilhada por pedestres, atletas, bicicletas, patinadores e bicicletas elétricas, sendo que nem todos respeitam a preferência do pedestre e circulam em alta velocidade, aumentando o risco de atropelamento. 


Os playgrounds, tanto do Jardim Botânico, quanto os da Lagoa e do Aterro do Flamengo têm brinquedos quebrados e enferrujados, colocando as crianças em risco. Já as Academias de Terceira Idade, localizadas na Lagoa e no Aterro do Flamengo, também deixaram a desejar, pois além de não haver profissional habilitado para fiscalizar a atividade, possuem equipamentos quebrados e enferrujados. 

No Corcovado, o vão que separa o trem da plataforma é extenso; o que expõe ao risco de prender pés e pernas na hora do embarque e do desembarque, principalmente em dias de maior movimentação. Além do pouco distanciamento do trem para a mata, que faz com que as folhas entrem no trem em movimento. Nos Arcos da Lapa foram encontrados botijões de gás e geradores de energia sendo utilizados pelo comércio noturno, contudo não foi localizado nenhum extintor de incêndio nas proximidades. 


No Pão de Açúcar o embarque e o desembarque oferecem riscos, pois há tapetes com pontas levantadas, facilitando tropeços, inclusive próximo aos acessos, além do distanciamento do vão ser grande o suficiente para prender o pé.  Já no acesso ao Jardim Botânico as passarelas e pontes não têm proteção lateral. Os pergolados de concreto estão em péssimas condições, com limos, infiltrações e galhos caídos. 


Locais tem vários problemas de sinalização 


No Pão de Açúcar, Jardim Botânico e principalmente no Corcovado as irregularidades estão voltadas a problemas de sinalização dos extintores de incêndio, dos hidrantes e de determinadas áreas restritas. No Jardim Botânico há uma área com muitos macacos sem nenhum tipo de sinalização indicando essa presença e nem sobre os riscos de alimentar esses animais. 

Além disso, o mapa situacional, localizado em alguns pontos estratégicos do Jardim, também apresenta problemas, pois o desenho está apagado e fica difícil identificar a posição real do turista. Para finalizar, as placas de saída levam a locais que atualmente estão fechados e sem funcionamento. 


No Corcovado, foram encontrados extintores e hidrantes sem sinalização, alguns em pontos de difícil acesso e porta de saída de emergência sem barra antipânico. Além disso, área de embarque para descer do Corcovado não tem extintor de incêndio. E no trenzinho não há extintores de incêndio, além do corredor de circulação ser pequeno, dificultando a evacuação em caso de emergência. 


Segurança e infraestrutura deixam a desejar 


Em relação à infraestrutura, tanto os Arcos da Lapa quanto a Lagoa não dispõem de banheiros públicos, disponibilizando somente o UFA, Unidade Fornecedora de Alívio, modelo fornecido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, sem portas e sem local para lavar as mãos. Na Lagoa, foram encontradas obras com proteção metálica soltando e quebrada, pergolado sujo e necessitando de reforma, mesas e cadeiras entulhadas, deques da lagoa com pés de ferro enferrujados, água com sujeira, lodo e com peixes em decomposição. No Corcovado identificamos áreas com teto caindo, pontos de iluminação quebrados, corrimão remendado com pontas, buraco no gradil e ferrugens na estrutura da escada rolante. 


As passagens subterrâneas de acesso ao Aterro do Flamengo se mostraram em más condições de infraestrutura, com luminárias queimadas e outras quebradas, canaletas soltas, paredes pichadas e com buracos, ferros expostos e estrutura com infiltração, além do forte cheiro de urina e chão molhado com lodo. 

No passeio do Pão de Açúcar também foi encontrado teto com infiltração, áreas restritas abertas, deixando livre acesso aos desatentos, rodapé com armação exposta, rampas quebradas, guarda-corpo enferrujado, trilha com rampa íngreme, circulação de material de obra e funcionários, além de barulho excessivo. Além disso, o procedimento de segurança não estava sendo cumprido pelos funcionários das obras de melhorias. Para finalizar, o modelo tradicional de bondinho que fica exposto para os visitantes está enferrujado, precisando de recuperação. 


No Jardim Botânico foi identificado desnível no chão e piso de pedra com muito espaçamento. Dentro do parque, além dos desníveis no chão, há uma área de macacos sem sinalização, conforme já sinalizado acima, além de portões enferrujados e quebrados, canaletas desniveladas e com área ao redor quebrada, folhas e galhos caídos sobre a fiação elétrica, ferros enferrujados expostos e buracos. 

Pela Operação Lapa Presente, Operação Lagoa Presente e Operação Aterro Presente, há maior patrulhamento entre esses pontos turísticos. Na Lapa, a operação ocorre somente à noite, deixando a região vulnerável nos demais horários. No Corcovado, Pão de Açúcar e no Jardim Botânico, há policiamento efetuado por guardas municipais, polícia militar e segurança privada. No que tange à acessibilidade, com exceção dos Arcos da Lapa todos os pontos turísticos visitados atendem o básico. Alguns inclusive têm elevadores, ou até mesmo carros elétricos, como é o caso do Jardim Botânico. Já com relação às condições de higiene, no Corcovado, um dos banheiros visitados estava com forte mau odor e sem papel toalha. 

 

Corcovado infringe Lei ao não disponibilizar meia-entrada 


Entre os pontos turísticos visitados, somente dois não são gratuitos: o Corcovado (R$ 56,00) e o Pão de Açúcar (R$ 76,00 e meia-entrada R$ 38,00). O Corcovado, infringindo a Lei Estadual vigente, alega não ser obrigado a disponibilizar ingressos de meia-entrada, por não se considerar atividade cultural e estar ligado ao Ministério do Meio Ambiente. Porém, como local de diversão, deveria oferecer essa opção. 


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