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Teste de segurança em Zoológicos mostra que riscos vão além das jaulas

02 junho 2016

02 junho 2016

Locais visitados pecam na infraestrutura e são despreparados para receber o público com segurança. Veja o resultado do teste e confira nossas dicas para fazer um passeio mais seguro.

Nos últimos dias houve o caso do garoto de quatro anos que caiu na jaula de um gorila em um zoológico nos EUA. O fato culminou na morte do animal - pelos tratadores - e o caso tomou repercussão internacional. Mas não é só no exterior que a segurança dos zoológicos é questionada. No Brasil, em 2014, o caso do garoto de 11 anos que ultrapassou facilmente a mureta de proteção da jaula do tigre e foi atacado pelo animal enquanto tentava alimentá-lo - no Zoológico de Cascavel, no Paraná - também tomou grande repercussão e expôs fragilidade da segurança dos zoológicos brasileiros. 


Fizemos um e estudo e visitamos cinco zoológicos pelo Brasil. Mais especificamente os das cidades de: Belo Horizonte, Foz do Iguaçu, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. E o que encontramos foram locais despreparados para receber o público com segurança, escassez de informações socioeducativas e animais confinados em ambientes que pouco ou nada lembram seus habitats naturais. 

Esses três pilares que sustentam a proposta de um zoológico são negligenciados pelas instituições responsáveis pela manutenção desses parques, expondo animais e pessoas a situações desnecessariamente arriscadas. 


Sinalização é precária em todos os zoos 


Em todos os zoológicos que visitamos, encontramos algum tipo de não conformidade na sinalização, na higiene, na segurança dos visitantes e no bem-estar animal. Em muitos deles encontramos sanitários em condições precárias e áreas para lanches sujas e malcheirosas. É até difícil dizer qual foi a pior situação observada. 


Podemos começar pela sinalização. Nenhum parque tinha rota de fuga devidamente sinalizada. No Parque Dois Irmãos, em Recife, a situação era ainda pior: as possíveis saídas de emergência estavam obstruídas. Faltam ainda, em todos os zoos, placas identificando os animais e avisos para não alimentá-los e para não bater no vidro. Já o Zoológico Bosque Guarani em Foz do Iguaçu, foi o zoológico com a pior infraestrutura que encontramos neste estudo. 


Outro ponto preocupante é a falta de extintores de incêndio. Encontramos alguns poucos no zoo de São Paulo e apenas um no de Recife. Nenhum extintor foi visto nos parques de Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Se juntarmos a isso o acúmulo de folhas secas no chão, como foi visto em Recife, Belo Horizonte e Foz do Iguaçu, temos o cenário ideal para um incêndio. As folhas secas pegam fogo rapidamente, por isso, devem ser recolhidas frequentemente. 



Áreas restritas com fácil acesso 


Barras de proteção quebradas, pontiagudas, enferrujadas e aquecidas pelo sol foram vistas em todos os zoológicos visitados. Escadas sem corrimãos e rampas de acesso quebradas também fazem parte da rotina de quem visita os zoos avaliados. 


É comum a todos os cinco parques o fácil acesso a áreas restritas, incluindo algumas jaulas com animais, seja por falta de cadeados ou por ausência de sinalização. Além disso, havia grades de proteção e barras de ferro mal posicionadas, prejudicando a visualização dos animais pelos visitantes. Isso leva muitas pessoas a se colocarem – ou suas crianças – em situações de risco para poder ver os animais de perto. 


Banheiros em condições precárias, sem papel e sabonete, e áreas de alimentação sujas e fedorentas se somam às outras dezenas de não conformidades que encontramos nos zoológicos visitados. E em relação ao bem-estar animal, a situação não é muito diferente. Apenas para citar alguns casos, em Recife, o ambiente dos furões estava sujo, com infiltrações e sem solo para furar. 


No zoo de Foz do Iguaçu, encontramos uma jiboia em um aquário visivelmente pequeno, além de jaulas com mau cheiro. Em São Paulo, a área dos orangotangos estava suja. O parque de Belo Horizonte foi o pior, com gaiolas cheias de infiltrações, pouca sombra para os pássaros e répteis em locais sujos e pequenos. 


Faça um passeio seguro 


A garantia de que o passeio ao zoológico será seguro e divertido também passa pelos cuidados dos pais e responsáveis que estão acompanhando as crianças. Veja as dicas que preparamos para um dia de lazer sem estresse: 

  • Não se debruce sobre as grades para ver melhor os animais, especialmente se você estiver com uma criança no colo.
  • Jamais permita que as crianças se distanciem de você ou que fiquem sozinhas, mesmo que por um tempo mínimo.
  • Escolha um dia ensolarado, mas não tão quente, para ir ao zoológico. Mesmo assim, leve muita água, protetor solar e repelente. Chapéus e bonés também são aconselháveis.
  • Respeite os animais. Não os alimente, nem tire foto com flash. Isso pode assustá-los. Não bata nos vidros ou arraste objetos nas grades, para evitar o estresse dos animais.
  • Faça sua parte e não jogue lixo no chão.

PROTESTE denuncia irregularidades e cobra fiscalização 


A falta de equipamentos de segurança e sinalização, assim como ambientes e jaulas que não oferecem resistência à fuga de animais, configuram desrespeito às normas de segurança e meio ambiente. Uma realidade que coloca em risco a integridade física dos visitantes, em especial crianças, idosos e cadeirantes, e que demonstra total descaso com a natureza. 


Essas irregularidades foram denunciadas às prefeituras das respectivas cidades, ao Corpo de Bombeiros e ao Ibama. Pedimos a fiscalização dos zoológicos e medidas que sejam capazes de sanar as irregularidades e consequentemente evitar acidentes. 



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