Notícia

Antibióticos: prescrição sem cuidado

12 novembro 2015

12 novembro 2015

Voluntários simularam estar com dor de garganta e foram a 30 médicos. Desses, 14 receitaram antibióticos, mesmo sem sintomas de infecção.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prescrição e o uso cuidadoso de antibióticos, mas nosso estudo constatou que nem todos os médicos seguem tal orientação. Dos 30 clínicos gerais que visitamos, 14 prescreveram antibióticos a pacientes (voluntários anônimos) que não estavam doentes, muito menos tinham infecção bacteriana.

O comportamento foi mais criterioso nas farmácias e drogarias que visitamos. Dos 28 estabelecimentos visitados, apenas um vendeu esse fármaco sem receita: a Drogaria Cristal, no bairro do Leme, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. 



Com o uso frequente, as bactérias vão se tornando resistentes à ação dos antibióticos. O consumo incorreto é outro problema grave. Muitas pessoas abandonam o tratamento antes do prazo determinado pelo médico. Assim, a substância não completa sua ação contra as bactérias.

Análise criteriosa de sintomas é fundamental


Em nosso estudo, um de nossos objetivos foi verificar o cuidado que os médicos tiveram ao avaliar os sintomas e examinar os pacientes. Os voluntários foram questionados se, além da dor de garganta, tinham tosse, dores no corpo e secreção no nariz. Todos os médicos indagaram se tinham febre, essencial para se confirmar ou não a existência de infecção. Além disso, somente um não examinou a garganta dos pacientes.

Ao final das 30 consultas, 11 médicos receitaram antibióticos espontaneamente. Três prescreveram os medicamentos após o paciente pedir. Ainda que três profissionais tenham alertado os pacientes a tomar o medicamento só em caso de piora dos sintomas ou aparecimento de febre, a prescrição de um antibiótico era desnecessária nesses casos.

Farmácias respeitam norma da Anvisa


Já as farmácias nos surpreenderam positivamente. Com exceção da drogaria que vendeu o antibiótico, as outras afirmaram aos voluntários que precisavam entregar o documento para comprá-lo.


Na Drogaria Cristal, o balconista perguntou se o voluntário estava acostumado a tomar antibiótico e se seria amoxicilina. O voluntário disse que “sim”. O balconista entregou um genérico sem perguntar a preferência do consumidor e não deu informações sobre a dosagem e a duração do tratamento.


A conduta desrespeita uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determina a obrigatoriedade de o consumidor apresentar receita médica nas farmácias para comprar esse tipo de medicamento.   

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