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Transmissão do vírus do HIV de mãe para filho pode ser evitada

17 julho 2015

17 julho 2015

Todos os anos, mundialmente, cerca de 1,4 milhões de mulheres que vivem com HIV engravidam. Tratamento específico ajuda diminuir as chances de transmissão do vírus para o bebê.

No mês de Junho, Cuba se tornou o primeiro país do mundo a receber a validação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de eliminação da transmissão do vírus HIV de mãe para filho. Com acompanhamento desde o início da gravidez e tratamento adequado, a gestante pode diminuir consideravelmente as chances de transmitir o vírus para o bebê.

 


Como evitar transmissão do vírus para o bebê


A chance de transmissão do vírus para os filhos durante a gravidez, o parto ou a amamentação é de 15-45% quando não há tratamento.  Desse percentual, 25% referem-se à transmissão intraútero e 75% à transmissão intraparto. No entanto, esse risco cai para pouco mais de 1% se medicamentos específicos para o tratamento de HIV forem dados para as mães e as crianças durante estas etapas em que a infecção pode ocorrer. 


Para evitar a transmissão do vírus, é necessário que a gestante se cuide desde o início do pré-natal.  Sob este aspecto, o teste para HIV é recomendado no 1º trimestre de gravidez. Mas, quando a gestante não teve acesso ao pré-natal adequado, o diagnóstico pode ocorrer no 3º trimestre ou até na hora do parto, porém, quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de que o bebê fique livre do vírus.


Tratamento e cuidados para a gestante soropositiva 


Uma vez positivo o diagnostico para o HIV, inicia-se o tratamento com medicação específica preventiva. Quando não há presença de sintomas e o dano imunológico é pequeno ou ausente, o início do esquema deve ser após o primeiro trimestre, entre a 14ª e a 28ª semana de gravidez. 


Para as gestantes que apresentam sintomas graves da infecção do HIV, o tratamento deve ser iniciado independentemente da gravidez e em qualquer idade gestacional.


Geralmente gestantes e crianças têm baixa incidência de reações adversas aos medicamentos que evitam a transmissão do HIV. Além de pouco frequentes, os efeitos adversos geralmente são breves e de intensidade leve a moderada, tanto nas gestantes quanto nas crianças.




Tipo de parto pode variar


A via de parto será escolhida com a avaliação do obstetra e do clínico/infectologista responsáveis pela gestante. O parto normal, por exemplo, só pode ser uma opção para gestantes com carga viral baixa. Em geral, a escolha é pela cesariana. 

Quando a via de parto for a cesariana agendada, o medicamento (zidovudina) intravenoso deve ser iniciado no mínimo três horas antes do procedimento e mantido até a ligadura do cordão umbilical. Já no parto normal, a infusão deverá ser instituída desde o início do trabalho de parto e mantida até o clampeamento do cordão umbilical.


Como tratar o bebê


Quanto ao recém-nascido, o tratamento com medicamentos para evitar a infecção pelo vírus HIV deve ser iniciado imediatamente após o nascimento (ainda na sala de parto ou nas duas primeiras horas de vida), podendo ser iniciado dentro das primeiras oito horas de vida, caso a mãe tenha recebido este medicamento durante o trabalho de parto. 

Não há comprovação de benefícios do início do tratamento preventivo após 48 horas do nascimento. Esse tratamento geralmente se estende por até 6 semanas.


Amamentação não é recomendada


Toda mãe soropositiva para o HIV deverá ser orientada a não amamentar. Ao mesmo tempo, ela deverá estar ciente de que, no Brasil, terá direito a receber fórmula láctea infantil, pelo menos até o seu filho completar 6 meses de idade.





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