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PROTESTE divulga avaliação global sobre reciclabilidade de embalagens

A Consumers International analisou as embalagens de 11 produtos em 9 países

27 abril 2021 |
reciclabilidade de embalagens

PROTESTE divulga avaliação global sobre reciclabilidade de embalagens

A Consumers International analisou as emabalagens de 11 produtos em 9 países 

Nesta terça-feira, 27 de abril, a PROTESTE, Associação de Consumidores, divulga os resultados da avaliação global sobre reciclabilidade de embalagens e eficácia da rotulagem nos produtos. A pesquisa foi realizada pela Consumers International, do qual a PROTESTE é membro, e analisou as embalagens de 11 produtos em 9 países (Índia, Reino Unido, Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Portugal, França, Malásia e Hong Kong).

De acordo com os resultados da pesquisa, os consumidores não conseguem reciclar facilmente todos os produtos na prática. Em média, 35% do peso da embalagem de todos os 11 produtos analisados não é facilmente reciclável. 

Além disso, nenhum produto foi etiquetado claramente. Em alguns casos, quando a embalagem é reciclável, a rotulagem não fornecia essa informação. Isso deixa o consumidor sem saber como descartar a embalagem e limita suas escolhas sustentáveis.

Recicláveis na prática

Há uma grande diferença em como é fácil “reciclar na prática” as embalagens dos 11 produtos entre os países. Confira as implicações do termo:

• Na Nova Zelândia, em média 43% do peso da embalagem era reciclável na prática, porém, apesar de um produto ser amplamente coletado pelo conselho local e pelas cidades, há uma chance muito pequena de ele ser reciclado.

• No Brasil, apesar de muitos produtos serem rotulados como recicláveis, a infraestrutura de reciclagem brasileira recicla apenas até 3,85% de seus resíduos, o que significa que a maioria dos produtos provavelmente iria parar em aterros sanitários.

• Em Hong Kong, em média 93% do peso da embalagem dos 11 produtos era facilmente reciclável na prática. No entanto, isso às vezes é difícil de quantificar devido à falta de clareza na indústria de reciclagem.

Os resultados sugerem que os consumidores dispostos a fazer escolhas sustentáveis são incapazes de fazê-lo devido a uma combinação de infraestrutura de reciclagem deficiente, embalagem inadequada para a infraestrutura relevante e / ou rotulagem errada, pouco clara e/ou confusa.

A experiência do consumidor

Apenas 30% dos entrevistados da Pesquisa Global de Proteção e Capacitação do Consumidor da Consumers International 2020 afirmaram que seu país tem um plano nacional de consumo sustentável. E apenas 60% das respostas afirmaram que seus países têm programas de reciclagem.

Os governos são responsáveis por estabelecer infra-estrutura adequada e estruturas de política para permitir a reciclagem na prática. Na última década, todos os governos envolvidos na pesquisa responderam às preocupações dos consumidores com relação ao lixo e reciclagem e se comprometeram com estratégias e políticas para reduzir o desperdício. 

Embora muitos países tenham estratégias abrangentes para reduzir o desperdício de embalagens, os dados disponíveis sugerem que as taxas de reciclagem ainda são baixas em todo o mundo. Os dados disponíveis sobre as taxas de reciclagem de resíduos de embalagens permanecem limitados.

Em alguns dos nove países, a infraestrutura de reciclagem inadequada limita a escolha. Em outros, a infraestrutura de reciclagem é abrangente, porém a embalagem carece de informações claras. Na maioria dos países, entretanto, os consumidores estão dispostos e motivados a reciclar. 

O Brasil 

Apesar de ter implementado uma Política Nacional de Resíduos Sólidos em 2011, para diminuir o volume total de resíduos produzidos nacionalmente e aumentar a sustentabilidade da gestão de resíduos sólidos em todo o país, o Brasil ainda só recicla 3,85% de seus resíduos nacionalmente.

Alguns consumidores brasileiros reciclam, principalmente aqueles que vivem em grandes cidades e têm coleta de lixo reciclável. No entanto, 17,8 milhões de pessoas no Brasil não têm coleta de lixo em casa, muito menos reciclagem. Além disso, de acordo com especialistas em defesa do consumidor, fazer escolhas sustentáveis no Brasil ainda é caro e atualmente exclui consumidores pobres e vulneráveis. Produtos com apelo sustentável ou que usam embalagens recicláveis geralmente são mais caros.

A pesquisa constatou que o consumidor brasileiro conseguiria, em média, reciclar apenas 8% do peso da embalagem dos 11 produtos. Esse é um problema compartilhado entre infraestrutura de reciclagem e empresas que atuam neste mercado. Os sistemas e a infraestrutura não estão servindo atualmente a todos os consumidores para permitir que eles reciclem embalagens na prática.

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