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Regina Tchelly: mulher da semente à raiz
Conheça a história da paraibana que está mudando a forma de consumo de alimentos com o Favela Orgânica. Ela abre a Semana da Mulher PROTESTE em homenagem ao Dia Internacional da Mulher
09 março 2020 |

No domingo (8) comemoramos o Dia Internacional da Mulher, data criada para lembrar as conquistas e a constante busca pela igualdade de direitos entre os gêneros. Nesta semana, a PROTESTE vai mostrar alguns exemplos de mulheres que se destacam nas áreas em que decidiram atuar, como o da paraibana Regina Tchelly, que decidiu melhorar a relação de consumo dos alimentos, de forma a evitar o desperdício e ainda cuidar do ambiente. Com apenas R$ 140 iniciais, a então empregada doméstica criou em 2011 o Favela Orgânica, no morro da Babilônia, favela da zona sul do Rio de Janeiro.  

Com oficinas e palestras, Regina e uma equipe de 15 profissionais ensinam pessoas a preparar os alimentos com aproveitamento quase que total, do talo até a semente. Além da sede do projeto, na favela carioca, ela e seu time de profissionais levam oficinas para restaurantes, cantinas, escolas de gastronomia, hotéis, feiras livres e até nas Ceasas (Centrais de Abastecimento).

"Senti a necessidade de valorizar o ciclo da vida, enxergar nossa responsabilidade e papel no mundo de maneira afetiva para devolvermos para a terra o que ela nos dá. Usar tudo do alimento modifica nossa relação com ele e democratiza a alimentação de verdade, para todo mundo. Quem mora na favela também pode comer bem!", afirma Regina, de 38 anos, mãe de três filhos.

Produção e consumo conscientes

Regina não tem noção de quanta gente já impactou com o projeto ao longo desses nove anos. Suas oficinas e palestras já foram feitas em outros estados do Brasil como Bahia, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Maranhão, Rio Grande do Sul e para o Distrito Federal. Regina também já foi ao exterior para apresentar seu trabalho. "Em alguns lugares pensavam que eu tinha estudo, mas foi tudo do meu juízo", diz a empreendedora.

Nas aulas o Favela Orgânica ensina a valorizar cascas, talos e sementes - que geralmente são descartados - como ingredientes e fontes de nutrientes. O curso também ensina a plantar, escolher os alimentos, planejar as compras, além do preparo das refeições e o cuidado com os resíduos. Com que não é aproveitado nas refeições, Regina ensina fazer a compostagem.

A filosofia do projeto é despertar em quem cozinha a responsabilidade pela construção de um mundo melhor, mais justo e saudável, explica sua criadora, que aprendeu o que sabe em sua vivência como empregada doméstica.

Sororidade

"Quero deixar uma mensagem para as mulheres do Brasil: você que é mulher da semente à raiz e aos frutos. Sonhe e realize seus sonhos com o que você tem. Sou uma mulher muito incrível e sempre presto atenção ao meu redor, vejo as dificuldades, mas logo vejo as soluções. As mulheres pra mim são referencias no mundo, pois nós somos agregadoras e colaboradoras e é disso que o mundo precisa. Por isso, precisamos nos valorizar e nos unir cada vez mais, cuidarmos umas das outras e nos proteger, e não competir entre nós."

Conheça mais do projeto Favela Orgânica no site da instituição: http://favelaorganica.com.br/pt/ 

Mulher no Brasil e no Mundo

Em 2015 a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu 17 temas humanitários que devem servir como prioridade nas políticas públicas internacionais até 2030 para todos os países. Dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como foi chamada a iniciativa, a de número cinco é dedicada às mulheres: alcançar a igualdade de gêneros e o empoderamento de mulheres e meninas. 

No Brasil, de acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE, dos 203,2 milhões de brasileiros, 104,7 são mulheres (51,6%), mas o rendimento médio delas equivale a cerca de três quartos do que os homens recebem como remuneração. 

Alcançar a igualdade de gêneros e o empoderamento de mulheres e meninas é uma das metas da ONU (Organização das Nações Unidas), que em 2015 criou os ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), 17 temas humanitários que devem servir como prioridade nas políticas públicas internacionais até 2030. 

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