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BCAA: rótulos não são confiáveis
Testamos 12 marcas e vimos que nem sempre os dados impressos na embalagem correspondem ao realmente oferecido pelo produto. Além disso, a falta de informação sobre a quantidade a ser ingerida pode trazer dúvidas ao consumidor.  
18 janeiro 2018 |
abertura-BCAA

Intensificar o resultado proveniente da prática de exercício é um dos objetivos de quem faz uso do BCAA, produto constituído por aminoácidos. E, para que o desempenho da atividade física esteja de acordo com o esperado, o ideal é que o teor de aminoácidos presente no rótulo seja fiel ao realmente oferecido. 

Pensando nisso, levamos 12 marcas ao laboratório e constatamos: há o que melhorar. Nem todas informam corretamente a quantidade desse composto. Encontramos ainda problemas em outros critérios analisados no teste. 

Antes de ter acesso aos resultados, confira quais foram as marcas testadas e o preço de cada uma delas (valores coletados em São Paulo, no último mês de dezembro).

  • Atlhetica  2.1.1 – R$ 41,45

  • Body Action 12.1.1 - R$ 115,00

  • Dymatize Nutrition  2.1.1  - R$ 159,90

  • Integralmédica  4.1.1 – R$ 83,89

  • Max Titanium  4.1.1 – R$ 78,30

  • Midway  Powder – R$ 169,11

  • Muscle Pharma 3.1.2 – R$ 175,60

  • New Millen 2.1.1 – R$ 31,40

  • Optimum Nutrition  Powder  - R$ 115,50

  • Probiotica Powder – R$ 86,00

  • Universal Nutrition Stack – R$ 239,10

  • Vitafor 2.1.1  - R$ 169,60

O BCAA é formado por três aminoácidos da chamada cadeia ramificada: leucina, isoleucina e valina. Entre outras funções, estudos mostram que eles ajudam na reconstrução muscular. A sigla vem do inglês branched-chain amino acids (aminoácidos de cadeia ramificada, em tradução livre). 

Entre as marcas testadas, vimos que todas trazem quantidade de um ou outro composto diferente da estampada na embalagem. Contudo, segundo normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para alimentos em geral, informações nutricionais podem apresentar variação de até 20% (para mais ou para menos). 

Levando isso em conta, são dois os produtos considerados em desconformidade: Body Action e New Millen. O primeiro mostrou ter 26% a menos de isoleucina. Já no último, identificamos teores de isoleucina e valina inferiores ao indicado – 34% e 31%, respectivamente.     

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O fato de haver diferença entre o valor trazido no rótulo e o encontrado em laboratório não traz riscos à saúde. Entretanto, isso tende a impactar no desempenho e no resultado esperado pelo consumidor. Ou seja: é provável que o objetivo traçado não seja alcançado.  

Vale lembrar que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) impõe ao fabricante o dever de indicar, de forma clara e precisa, as características do produto.  Dessa forma, enviamos o resultado do teste à Vigilância Sanitária e solicitamos a fiscalização dos avaliados. 

Há presença de carboidrato em algumas marcas
Durante análise minuciosa do rótulo, vimos que todos os produtos trazem informações em português, número do lote, data de validade, entre outras exigências estipuladas pela Anvisa. Já a data de fabricação foi detectada em apenas três – Optimum Nutrition Powder, Vitafor e Dymatize Nutrition. Embora esse dado não seja obrigatório, julgamos que é importante para o consumidor: assim é possível optar pelo BCAA fabricado mais recentemente.  

Como já mencionado, o BCAA é formado só por aminoácidos. Logo, não deveria haver outros nutrientes em sua composição. No entanto, durante análise dos rótulos, verificamos que há marcas que adicionam carboidrato ao produto. São elas: Athletica, Muscle Pharma, Midway Powder, Vitafor, Max Titanium e New Millen. Assim, principalmente quem segue um cardápio com baixa ingestão de carboidrato deve checar o rótulo para evitar que o consumo de BCAA acabe atrapalhando a dieta.  

A PROTESTE, todos os anos, realiza testes com diversos produtos. Associe-se já!

Ao fazer uma conta rápida, quem pesa em torno de 70 Kg, por exemplo, sabe que deve ingerir meia porção, caso na embalagem de um determinado produto venha especificado que a porção inteira é destinada a uma pessoa de 143 Kg. Daí a importância de esse dado estar presente na rotulagem – isso evita maior consumo de BCAA do que o necessário. 

Porém, apenas cinco marcas avaliadas trazem essa relação entre peso e porção: Integralmédica, Muscle Pharma, Universal Nutrition, New Millen e Vitafor. Na embalagem dessa última a informação vem ainda mais detalhada, com a especificação da quantidade a ser ingerida de acordo com diferentes faixas de peso (confira a foto abaixo).  

rotulo-vitafor

A ingestão exagerada do produto dificilmente traria problemas à saúde. Por outro lado, tende a prejudicar o bolso. Levando em conta o exemplo anterior, imagine que quem pesa 143 Kg gaste um pote de BCAA por mês. Se a pessoa que pesa em torno de 70 Kg não encontra dados sobre peso e porção no rótulo, vai acabar comprando um pote por mês, enquanto poderia adquirir um a cada dois meses.  

Frente à situação encontrada, também pedimos junto à Anvisa que seja obrigatória a necessidade de a marca informar a relação entre peso e porção. Assim, fica mais fácil para o atleta identificar o teor de BCAA que deve ser ingerido de acordo com seu peso. 

Mas tenha sempre em mente: a melhor forma de incluir o BCAA à dieta é por meio de orientação profissional. Por isso, busque um médico ou nutricionista. Só assim você fará uso adequado do produto e, consequentemente, vai alcançar mais facilmente o resultado esperado. Restaram dúvidas sobre esses aminoácidos? Então, confira a entrevista com a médica Marília Milograna Zaneti – especialista no assunto que atua nas áreas de medicina do esporte e nutrologia. Ela vai ajudar você a entender melhor sobre o tema! 

 

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