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Segurança de brinquedos: com isso não se brinca
01 mai 2003No teste de brinquedos maleáveis, diversos problemas foram encontrados como ausência de informações adequadas na rotulagem e embalagens inadequadas. Os ensaios tomaram como base as normas de brinquedos européias por serem mais criteriosas que a brasileira. Vários aspectos foram observados, além da rotulagem e da embalagem. Testamos, também, a resistência dos brinquedos na simulação de uso (abuso razoavelmente previsível de acordo com a norma), na qual foi avaliada a qualidade dos acabamentos e da construção. O boneco Mickey, do fabricante Candide, foi um dos reprovados, pois teve o braço direito arrancado no teste de tração. O enchimento ficou exposto, o que representa um risco de sufocamento pela ingestão ou inalação do material.
A inflamabilidade foi uma outra etapa do ensaio que também chamou a atenção. A velocidade de propagação das chamas foi maior do que a recomendada pela norma, num dos brinquedos, a boneca de pano e trança da marca Fizzy foi considerada perigosíssima. Apesar de nenhum brinquedo ter sido reprovado na avaliação da toxicidade, etapa em que é pesquisada a presença de metais pesados em determinadas concentrações, esse item requer atenção. Os pais têm que ter cuidado, pois algumas partes dos bonecos são revestidas de tecidos tingidos que podem possuir substâncias químicas como bário, chumbo, mercúrio, entre outros. Isso é um perigo porque a fase de zero a três anos é considerada pelos médicos como de estágio oral, ou seja, tudo a criança leva à boca.
Dos 23 brinquedos testados, 19 apresentavam a marca de conformidade do Inmetro, mas mesmo assim 11 estavam no grupo dos brinquedos reprovados. Apesar de aprovados pelo Inmetro e de estarem dentro das normas brasileiras exigidas por lei, esses brinquedos podem oferecer riscos às crianças. A PROTESTE acredita que é preciso mais rigor por parte dos órgãos fiscalizadores e que são necessárias mudanças na norma brasileira NBR 11786 e no regulamento de avaliação da conformidade. Ao buscarmos estatísticas sobre acidentes com brinquedos, comprovamos a ausência destas e, assim, a PROTESTE reivindica a criação de um registro de estatísticas sobre esse tipo de acidente.
Brinquedos considerados “muito bons”: Macaco de Pano e Porco de pelúcia para dormir (Foffy Com. E Conf. Ltda) e Visconde do Sítio do Pica-Pau Amarelo de pano (Plástico Acalanto Ind. Ltda). Os classificados como “bons”: Doce Ninar e Bob Esponja (Plástico Acalanto Ind. Ltda) e Leão de pelúcia (Com. Zimex Ltda). Os dois bonecos que tiveram classificação “aceitável”: Amanda (Douer Trading Co. Ltda) e Hello Kitty (GSA Co. Ltda). O boneco Homem-Aranha (Ont. Reg. Nº 20R4879) foi considerado “regular”. Os reprovados, conceito “ruim”: Boneca de pano com trança, Ovelha de Pelúcia, Gato branco de pelúcia e Urso de pelúcia com casaco de cachecol (Fizzy Com. Imp. E Exp. Ltda, Ursinho “It´s a Boy” (Com. Zimex Ltda), Cachorro de pelúcia (Baby Brink Ind. e Com. de Brinquedos Ltda), Mickey (Candide Ind. E Com. Ltda), Ursinho com coração (Magic Toys Ind. e Com.), Leão de pelúcia com mola (Seba Com. Imp. Exp. Ltda), Gato de pelúcia com chapéu (Foffylândia Com. e Conf. Ltda), Dois coelhinhos de pelúcia com cesto (Tascoinport Com. Ltda), Emília grande de pano, Boneca pequena com pente de plástico e Emília média com fita verde na cabeça (esses três últimos não tinham identificação do fabricante).
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Sobre a PROTESTE: A PROTESTE – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DEFESA DO CONSUMIDOR – foi fundada em julho de 2001, por iniciativa do IPEG – Instituto Pedra Grande de Preservação Ambiental de Atibaia (SP), constituído há 20 anos, e da Test-Achats, da Bélgica, associação membro da Euroconsumers que defende o consumidor na Europa e que reúne mais 1,2 milhão de associados. Sua missão é informar, orientar, representar e defender os interesses do consumidor. A PROTESTE edita uma publicação de nome homônimo, onde são divulgados os resultados de testes comparativos que a entidade realiza com produtos e serviços. O propósito da PROTESTE é fornecer informações objetivas ao consumidor para orientá-lo em suas decisões de compra.
Nota – É permitida a reprodução da reportagem sobre o teste de segurança dos brinquedos publicada na décima quarta edição da revista Pro Teste, inclusive as fichas de avaliação dos brinquedos, desde que a fonte e a data de publicação (Pro Teste, maio de 2003) sejam citadas. É proibida sua utilização para fins publicitários ou comerciais. Se a matéria for divulgada na Internet, deverá conter um link para a página da Pro Teste (www.proteste.org.br) e só poderá estar disponível on-line durante um mês.