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Nem sempre o " sem juros " vale a pena
31 mai 2006Analisamos os preços e condições de pagamento à vista e em três, seis, nove e doze parcelas para uma máquina de lavar roupas, um microondas, uma TV 29 polegadas de tela plana e uma geladeira, em oito lojas de eletrodomésticos e hipermercados. Depois, simulamos as possibilidades de financiamento desses produtos nas dez maiores instituições financeiras do país para ver se valia a pena pegar um empréstimo. De fato, o melhor que você pode fazer é financiar os produtos diretamente com as lojas.
Nossa pesquisa constatou que o mercado trabalha com três tipos de preços: o anunciado pelo estabelecimento nas propagandas, o à vista com desconto - que consideramos como o preço à vista de fato, já que é o que o consumidor realmente vai pagar - e o preço financiado, que soma os valores de todas as parcelas pagas. Ao comprar um bem, não se preocupe apenas se o valor da prestação cabe no seu orçamento. Muitas parcelas de valores baixos podem somar um valor bem mais alto que menos parcelas de valores maiores. Por exemplo, doze parcelas de R$ 120,00 (R$1.440,00) saem bem mais caras que seis de R$ 200,00 (R$ 1.200,00).
Isso porque o preço de um bem parcelado em muitas vezes pode esconder juros altos. Portanto, avalie sempre a possibilidade de adiar a compra para pagar o bem à vista. Vale a pena até resgatar aplicações com baixo rendimento, como a poupança, para investir na compra à vista de um eletrodoméstico. Em nosso teste, na maioria dos casos em que nos propusemos a pagar à vista, os vendedores ofereceram desconto de 5 a 10 por cento sobre o preço declarado na propaganda. Se você for bom de pechincha e insistir, o desconto pode ser até maior.
Além disso, lembre-se que um bom desconto nem sempre se reflete em uma boa compra. De nada adianta um vendedor oferecer um desconto de 15% para um produto que a concorrência já vende por 20% a menos. Por isso, compare os preços, sempre! As diferenças que encontramos entre os menores e os maiores preços à vista foram de 20% para o televisor, 21% para a máquina de lavar, 27% para a geladeira e 45% para o microondas.
A forma de pagamento também influencia no custo do financiamento. Em geral, só é possível "parcelar sem juros" usando o cartão de crédito. Se você tiver saldo disponível em seu cartão, lance mão dele. O parcelamento com cartão é a forma mais rápida e prática. Mas o parcelamento no cartão só é válido se você pagar a fatura toda e em dia, não entrando no crédito rotativo.
Alguns bancos e financeiras têm linhas de crédito voltadas à compra de bens e funcionam da seguinte forma: você pega um empréstimo no valor do produto à vista e paga de maneira parcelada à instituição. Mas nossa pesquisa comprovou que os custos desses empréstimos não compensam. Em média, a TAEG (taxa que inclui todos os custos do crédito) é de 262% para o crédito pessoal e de 135% para o CDC. E se a TAEG que os bancos cobram já é bastante alta, a das financeiras é abusiva. Quem contrata um CDC de R$ 1.299,00 parcelado em 12 vezes na Losango acaba pagando R$ 3.036,60.